Sistemas e Proteção / Permissive

DTT, POTT, PUTT, DCB e DCUB: como escolher o esquema de teleproteção

Compare transferência direta, permissivos e bloqueios pela lógica, dependência do canal, segurança, dependabilidade, velocidade e comportamento em falha.

6 min de leitura Conteúdo técnico autoral Publicado em 26/08/2026
Ilustração técnica autoral para DTT, POTT, PUTT, DCB e DCUB: como escolher o esquema de teleproteção, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

Comparação funcional dos esquemas de teleproteção

EsquemaInformação remotaCondição típica de tripRisco dominante a testar
DTTOrdem diretaRecepção válida e habilitadaComando espúrio ou destino incorreto
POTTPermissivo de sobrealcanceOverreach local + permissivoFalta externa, weak infeed e eco
PUTTPermissivo de subalcanceElemento local + sinal de zona subalcançadaBuraco de cobertura e zona 1
DCBBloqueio direcionalForward local sem bloqueioPerda/atraso do bloqueio
DCUBEstado guard/unblockLógica local + transição válidaFalha ou transição ambígua do canal

As equações exatas dependem da filosofia e do fabricante; sempre valide a lógica implementada.

O nome do esquema descreve uma lógica

DTT, POTT, PUTT, DCB e DCUB definem como uma decisão local se combina com informação remota. Eles não especificam meio, protocolo nem fabricante. Antes de escolher, escreva a equação de trip em palavras e em lógica booleana, identifique qual elemento local inicia o envio e qual condição remota autoriza ou impede atuação.

A comparação correta usa segurança, dependabilidade, velocidade, cobertura, complexidade, necessidade de eco, comportamento em weak infeed, desempenho durante falha de canal e disponibilidade de retaguarda. Escolher apenas pelo menor tempo nominal pode trocar uma vantagem de milissegundos por um modo de falha inaceitável.

DTT: comando direto exige confiança máxima

Direct Transfer Trip envia uma ordem que pode disparar a extremidade remota sem pickup independente da proteção receptora. É útil em falha de disjuntor, reator, derivação, esquemas especiais ou abertura coordenada. Justamente por sua autoridade, demanda canal seguro, endereçamento inequívoco, supervisão, controles contra manutenção e lógica de recepção cuidadosamente validada.

DTT não deve ser confundido com permissivo. No permissivo, o sinal remoto completa uma decisão baseada em elemento local; no DTT, a mensagem é a causa suficiente ou quase suficiente. O teste precisa provar ausência de trip com bit espúrio, sequência de habilitação, tratamento de canal indisponível e retorno sem pulso.

Comparação dos esquemas POTT, DTT e DCB de teleproteção.
Cada esquema interpreta permissivo, transferência direta ou bloqueio de maneira diferente. Fonte: Portal da Automação · Conteúdo autoral do portal.

POTT: sobrealcance local e permissivo remoto

Permissive Overreaching Transfer Trip normalmente combina um elemento direcional de sobrealcance local com permissivo recebido da outra ponta. Cada terminal transmite quando seu elemento de sobrealcance atua; o trip acelerado exige pickup local e recepção. Isso oferece boa cobertura de linha, mas requer atenção a weak infeed, eco e lógicas de transient blocking.

Como o elemento de sobrealcance enxerga além da linha, o permissivo é o componente que preserva seletividade para a zona protegida. Erro de direção, polarização, transformação de impedância ou sinal cruzado pode produzir sobrealcance indevido. A validação deve incluir faltas externas reversas, power swing e condições assimétricas.

PUTT: subalcance inicia, sobrealcance recebe

Permissive Underreaching Transfer Trip transmite a partir de um elemento de subalcance, frequentemente zona 1, cuja operação indica forte evidência de falta interna. O terminal receptor combina o permissivo com elemento local que oferece cobertura complementar. A partida de envio tende a ser mais seletiva, mas pode não ocorrer para faltas além do alcance ou em condições limitantes.

A engenharia precisa demonstrar cobertura sem buracos, inclusive resistência de arco, alimentação de ambas as pontas e erros de medição. PUTT não corrige zona 1 mal ajustada; apenas transporta sua decisão. O estudo deve mostrar quando o permissivo nasce e qual elemento local aceita a mensagem.

DCB e DCUB: silêncio e bloqueio têm significado operacional

Directional Comparison Blocking permite trip rápido por elemento local forward quando não chega bloqueio da outra extremidade. Para falta externa, o terminal que vê reverse envia bloqueio. A velocidade pode ser alta, mas a perda do canal no instante errado remove a informação que impediria o trip, por isso segurança, channel guard e coordenação temporal são essenciais.

Directional Comparison Unblocking usa estados de guard e unblocking para supervisionar o canal e permitir atuação controlada quando a condição esperada muda. A implementação varia; o requisito deve definir estados e timers, não apenas a sigla. Em ambos, teste o que significa canal quieto, canal falho e transição entre estados.

Weak infeed, echo e corrente insuficiente

Uma extremidade com pouca contribuição pode não sensibilizar o elemento que deveria transmitir ou completar a lógica. Lógicas de echo devolvem permissivo sob condições específicas; weak-infeed trip pode usar permissivo recebido, ausência de pickup reverso e supervisão de tensão. Esses recursos aumentam cobertura e também introduzem novos caminhos de trip.

Cada lógica adicional precisa aparecer na matriz de causa e efeito. Teste terminal forte/fraco, falta trifásica e monofásica, terminal aberto, tensão deprimida, disjuntor aberto e falta externa. Não habilite echo apenas para “resolver o teste” sem estudar o estado que o autoriza.

Timers, dropout e coordenação com retaguarda

Pickup, keying delay, channel delay, coordination delay, dropout, reset e memória direcional alteram o resultado. Um bloqueio que chega depois da janela de decisão é equivalente a não chegar; um permissivo retido demais pode coincidir com nova condição. Valores devem considerar dispersão do relé, pior canal e transientes.

A retaguarda temporizada precisa continuar seletiva quando o canal falha. Documente qual zona ou sobrecorrente elimina a falta, em quanto tempo e com qual alcance. A indisponibilidade de teleproteção não deve criar uma zona sem proteção nem permanecer invisível à operação.

Critério de escolha por consequência e não por preferência

Monte uma tabela de consequência para trip indevido, trip atrasado e falta de trip em cada zona. Relacione estabilidade, dano, segurança pública, perda de carga e retaguarda. Em linhas curtas, fracas, multiterminais ou com compensação série, a lógica que parece simples pode exigir recursos adicionais. A escolha deve registrar quais premissas elétricas e de telecom a sustentam e quando o estudo precisa ser refeito.

Inclua operação e manutenção na decisão. Um esquema sofisticado sem alarmes compreendidos, sobressalentes ou teste periódico pode ter disponibilidade real inferior a uma solução menos complexa. Defina responsável por settings, canal, revisão de lógica e análise de eventos. Mudança de topologia, fonte, TC/TP, firmware ou rota é gatilho para revisar cobertura, direção, tempos e weak infeed.

Teste comparativo e critérios de escolha

Modele casos antes de configurar: interna próxima e remota, externa em cada barra, weak infeed, current reversal, canal normal, atraso, perda e bit preso. Para cada caso, registre pickup local, sinal enviado, sinal recebido, equação de trip, tempo e resultado esperado. A escolha fica defensável quando todos os modos relevantes têm resposta aceitável.

No comissionamento, use injeção sincronizada e captura dos sinais binários nas duas pontas. Confirme que nomes na engenharia correspondem aos bits reais. O relatório deve mostrar não só que o esquema tripou, mas também que se conteve em faltas externas e falhou de modo previsto sob degradação.

Referências técnicas e normas

As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.

Continue estudando

Os próximos conteúdos foram escolhidos para formar uma sequência técnica, relacionando fundamento, configuração, diagnóstico e aplicação.

Trilhas em que este artigo se encaixa

Ver todas as trilhas de estudo →