Sistemas e Proteção / Relé de proteção

Coordenação entre 21, 50BF e religamento 79 em linhas de transmissão

Integre distância, falha de disjuntor, trip monopolar/tripolar, dead time, reclaim time, switch-onto-fault e sinais de teleproteção.

6 min de leitura Conteúdo técnico autoral Publicado em 26/08/2026
Ilustração técnica autoral para Coordenação entre 21, 50BF e religamento 79 em linhas de transmissão, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

Sequência integrada 21–50BF–79

EtapaCondiçãoSaída esperadaFalha a simular
Detecção 21Falta interna e direção válidaTrip mono/tripolar + teleproteçãoZona/direção limítrofe
AberturaTrip coil e corrente por polo52 muda e corrente zeraUm polo preso
50BFTrip iniciado sem interrupçãoRetrip + adjacentes/DTTContato muda sem corrente zerar
79 dead timeFalta transitória e permissõesFechamento no tempo definidoSync-check negado
LockoutFalta permanente ou BFSem nova tentativaReset prematuro
RecuperaçãoDisjuntor e canal estáveisEstado pronto controladoFlapping de canal/contato

As funções compartilham uma sequência de eliminação

A função 21 detecta e localiza a condição por impedância; a lógica de trip aciona o disjuntor; 50BF verifica se a interrupção ocorreu; 79 decide se e quando religar. Teleproteção pode acelerar trip remoto ou abrir extremidades relacionadas. Projetar cada função isoladamente cria corridas entre contatos, timers e estados de polo.

A engenharia deve desenhar a linha do tempo desde pickup até arco extinto e eventual religamento. Marque contatos 52a/52b, corrente de supervisão, trip coil, pole discrepancy, sinais permissivos/DTT, bloqueios de 79 e retaguarda. Cada transição precisa de critério e evidência.

Trip monopolar ou tripolar muda o problema

Em linhas adequadas, falta monofásica pode abrir apenas o polo defeituoso e religar depois do dead time, preservando transmissão nas fases sãs. Faltas multifásicas, breaker failure, discordância ou determinadas proteções podem exigir trip tripolar e lockout. Seleção de fase incorreta muda a estabilidade e a chance de extinção do arco secundário.

Mapeie quais elementos permitem single-pole trip, quais convertem para três polos e como o terminal remoto é informado. Teste cada tipo de falta, contato de polo e saída. Não aceite “trip geral” como único registro de evento.

Comparação dos esquemas POTT, DTT e DCB de teleproteção.
Cada esquema interpreta permissivo, transferência direta ou bloqueio de maneira diferente. Fonte: Portal da Automação · Conteúdo autoral do portal.

50BF precisa provar que o disjuntor não interrompeu

Breaker failure normalmente inicia com comando de trip e supervisiona corrente e/ou contatos por tempo definido. Se corrente permanece ou posição não muda, envia retrip e depois trip de disjuntores adjacentes, barramento ou terminal remoto. Pickup de corrente, timers e contatos precisam considerar tempo máximo de abertura e erros de medição.

Um 50BF rápido demais pode ampliar uma falta por operação normal lenta; lento demais prolonga dano. A lógica deve tratar disjuntor aberto sem corrente, falha de um polo, corrente abaixo do detector e trip por manutenção. IEEE C37.119 pode complementar o estudo específico de breaker failure.

DTT e retaguarda remota na falha de disjuntor

Quando um disjuntor terminal falha, pode ser necessário enviar DTT à outra extremidade ou abrir disjuntores locais de barra. Esse comando tem autoridade alta e deve estar claramente separado de permissivos normais. Origem, latch, reset, canal A/B e destino precisam ser inequívocos.

Teste falha do canal ao mesmo tempo que breaker failure e determine quem elimina a corrente. A retaguarda remota por zona temporizada pode existir, mas seu tempo e cobertura precisam ser demonstrados. A perda do DTT deve alarmar antes de criar risco oculto.

79: dead time, reclaim time e condições de bloqueio

Dead time é o intervalo antes da tentativa de religamento; precisa permitir desionização do arco e atender estabilidade. Reclaim time define quando uma nova sequência é considerada independente. Número de tentativas, mono/tripolar, sync-check, dead-line/live-bus e lógica de tensão dependem da aplicação.

79 deve bloquear para breaker failure, lockout, manutenção, proteção de equipamento não religável, canal degradado quando requerido e condições de sistema. O reset de bloqueios precisa ser controlado. Um bit que limpa antes do disjuntor estabilizar pode causar fechamento indevido.

SOTF e proteção durante o fechamento

Switch-onto-fault acelera atuação quando o disjuntor fecha sobre falta existente. Pode usar sobrecorrente, zona ampliada e janela após fechamento. É necessário distinguir energização normal, inrush, carga e falta. O estado de 79 e 52 inicia a janela; erro de contato pode deixá-la ativa fora do período.

Teste fechamento em linha sã, falta próxima e remota, terminal morto e energizado. Confirme que SOTF bloqueia religamento subsequente conforme filosofia e que teleproteção transmite a decisão correta. Oscilografia deve mostrar a janela e o elemento que operou.

Estados, latches e reset operacional

Breaker failure, lockout, pole discrepancy, AR in progress e DTT podem ficar latched. Defina quem reseta, sob quais condições e que indicação permanece para análise. Reset automático reduz intervenção, mas pode apagar condição antes da operação compreender o risco; reset manual sem procedimento pode manter a linha indisponível. Cada latch deve ter causa, saída e critério de limpeza.

SCADA precisa diferenciar disponível, bloqueado, em ciclo, lockout e indisponível por canal. Comandos de enable/disable 79 devem possuir retorno de estado e controle de acesso. Após manutenção, o checklist confirma posição de polos, ausência de corrente, canal normal, grupos coerentes e remoção de test/force antes de liberar religamento.

  • Registrar separadamente start, retrip e trip de retaguarda da função 50BF.
  • Distinguir bloqueio temporário, lockout e 79 desabilitado por comando operacional.
  • Verificar 52a/52b e corrente de cada polo antes de limpar breaker failure.
  • Exigir retorno de estado para qualquer comando remoto que habilite ou bloqueie religamento.
  • Manter evidência latched até exportar SOE e oscilografia da sequência anormal.

Teste sequencial ponta a ponta

Use injeção sincronizada e simuladores de disjuntor com polos individualizados. Execute falta monofásica transitória, permanente, multifásica, falha de um polo, falha completa, DTT, sync-check negado e canal perdido. Registre tempos de 21, saída, 52, 50BF, DTT e 79.

Aprovação exige resultado operacional correto: polos abertos, corrente interrompida, terminal remoto aberto quando devido, tentativa de religamento permitida ou bloqueada e retorno ao estado pronto. Testar cada função separada não detecta corrida de integração.

Diagnóstico pela cronologia de estados

Se 50BF atuou indevidamente, compare trip inicial, corrente por polo, 52a/52b, tempo real de abertura e settings. Se 79 fechou indevidamente, verifique bloqueios, tensão, sync-check, lockout e reset. Se DTT faltou, percorra lógica local, canal, recepção e saída remota.

Alinhe COMTRADE e SOE por fonte temporal conhecida. Pequenas diferenças de timestamp podem inverter a interpretação de causa e efeito. O relatório deve mostrar a cronologia com tolerâncias e fechar qual condição chegou tarde, ficou presa ou foi interpretada de modo incorreto.

Referências técnicas e normas

As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.

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