Coordenação 50, 51 e 67: curvas, pickup e intervalo de seletividade
Dimensione sobrecorrente instantânea, temporizada e direcional com corrente de carga, curto mínimo/máximo, curvas inversas, tolerâncias e tempo total de interrupção.
Planilha mínima de coordenação 50/51/67
| Entrada/ajuste | Limite inferior | Limite superior | Verificação |
|---|---|---|---|
| Pickup fase | Carga máxima + margem | Curto fase mínimo | Topologias normal/contingência |
| Pickup terra | Desequilíbrio/erro residual | Curto terra mínimo | Aterramento e GD |
| Curva/TMS | Tempo de dano permitido | Retaguarda coordenada | TCC em vários múltiplos |
| Instantâneo 50 | Transitórios/inrush | Falta máxima na zona inferior | Alcance e sobrealcance transitório |
| Direção 67 | Polarização válida | Região forward/reverse | Teste angular e tensão baixa |
| Margem | Disjuntor + tolerâncias | Tempo máximo do sistema | Medição ponta a ponta |
Coordenação separa sensibilidade, seletividade e velocidade
Pickup deve ficar acima da carga e de transitórios permitidos, mas abaixo da falta mínima que a função precisa detectar. Tempo deve permitir que o dispositivo mais próximo elimine a falta, mantendo retaguarda se ele falhar. Velocidade limita dano e estabilidade. Esses objetivos competem; coordenação é o estudo que mostra o compromisso, não uma sequência de valores típicos.
Função 50 é instantânea ou de tempo definido curto; 51 usa tempo inverso ou definido; 67 acrescenta direção. Fase e terra precisam de estudos separados porque carga, sequência zero, aterramento e correntes de falta são diferentes. Sempre declare base primária/secundária e relação de TC.
Dados de entrada determinam a curva possível
Reúna corrente máxima de carga normal e emergência, partida de motores, energização de transformador, cold load pickup, geração distribuída e correntes de curto mínimas/máximas por topologia. Inclua erros de TC, saturação, tolerâncias do relé e tempo do disjuntor. Um estudo de curto único não representa uma rede que muda.
Verifique também ampacidade de condutores, curvas de dano de transformadores/cabos, limites de fusíveis e capacidade de interrupção. A proteção deve detectar a falta sem ultrapassar limites térmicos. A curva tempo-corrente precisa mostrar simultaneamente operação e suportabilidade.
Pickup e dropout precisam de unidade e referência
Pickup pode ser informado em ampères secundários, primários, múltiplos de In ou porcentagem. Normalize antes de comparar. Escolha acima da carga máxima com margem para erro e abaixo do curto mínimo. Para terra sensível, considere desequilíbrio natural, erro residual dos TCs e correntes capacitivas.
Dropout e reset influenciam faltas intermitentes e curvas integradoras. Memória térmica ou eletromecânica pode acumular operação. IEC 60255-151 e documentação do relé definem comportamento e tolerâncias; não trate duas curvas com o mesmo nome como idênticas sem verificar equação.
Curvas inversas e time dial
Curvas inverse, very inverse e extremely inverse alteram como o tempo cai com múltiplos de pickup. IEEE C37.112 define equações padronizadas e tratamento para corrente variável; famílias IEC possuem outras constantes. O time dial ou TMS escala o tempo, mas não corrige pickup inadequado nem mudança de família.
Compare curvas no intervalo completo de falta, do mínimo ao máximo. Duas curvas podem ter margem em uma corrente e cruzar em outra. Use tolerância máxima do dispositivo a jusante e mínima do montante ao calcular o pior caso; linha nominal no software não basta.
Intervalo de seletividade é soma de incertezas
O intervalo precisa acomodar tempo de abertura e extinção do disjuntor a jusante, overtravel/reset quando aplicável, overshoot, tolerância de relés e TCs, comunicação/lógica e margem de segurança. Não existe um único intervalo universal. Relés digitais e disjuntores rápidos podem reduzir parcelas, mas só medição e dados garantidos justificam reduzir margem.
Calcule para várias correntes e topologias. Em seletividade lógica, o estágio a montante pode acelerar quando recebe informação válida, mas deve conservar tempo coordenado na perda do sinal. Documente tempo normal e degradado.
67 adiciona polarização e direção
Sobrecorrente direcional combina magnitude com decisão forward/reverse baseada em tensão, corrente de sequência ou memória. Ajuste de MTA/RCA, polarização e thresholds precisa corresponder ao fluxo de falta. Em sistemas com geração distribuída, direção pode separar contribuição local de falta a montante.
Teste tensão baixa, close-in fault, inversão de fluxo, conexão de TP e sequência de fases. Um 67 mal polarizado pode permanecer sensível em teste estático e errar na falta real. A coordenação deve considerar se o elemento direcional bloqueia ou apenas supervisiona 50/51.
Grupos de ajuste e mudanças de topologia
Uma rede pode exigir grupos para paralelismo, manutenção, geração conectada ou contingência. A lógica de seleção precisa conhecer posição de chaves e qualidade dos estados, evitar combinações inexistentes e alarmar divergência. Cada grupo necessita TCC e curto-circuito próprios; chamar um grupo de “emergência” não define a condição em que permanece seletivo.
Controle de mudança deve registrar estudo, arquivo, revisão, data, responsável e testes. Verifique settings as-left após download, porque interface de fabricante pode arredondar ou converter unidades. Alterações de TC, disjuntor, cabo, transformador ou GD são gatilhos para reestudo, mesmo que o relé não tenha sido tocado.
- Associar cada grupo a uma topologia válida e a estados de chave com qualidade conhecida.
- Impedir seleção automática quando existe discrepância de posição ou comunicação indisponível.
- Comparar pickup e tempos exportados com a TCC aprovada, incluindo conversão primário/secundário.
- Testar a transição entre grupos sem disparo, reset ou temporização residual inesperados.
- Recalcular coordenação quando curto-circuito, carga, GD ou tempo de disjuntor mudar.
Validação por injeção e curva medida
Injete pontos abaixo e acima do pickup, depois múltiplos distribuídos pela curva. Meça pickup, dropout e tempo, comparando com tolerância do fabricante. Para 67, varie ângulo e magnitude. Inclua entrada de bloqueio/permissivo quando integrada à seletividade lógica.
Registre configuração, firmware, relação de TC simulada, corrente aplicada, tempo esperado, medido e erro. Teste cadeia de trip até o disjuntor quando possível, pois tempo de saída e abertura fazem parte da coordenação. O relatório deve permitir recalcular o resultado.
Diagnóstico de atuação fora da coordenação
Quando o montante atua primeiro, confira corrente real, curvas vigentes, tempo do disjuntor a jusante, falha de trip, saturação de TC e estado de bloqueio. Quando ninguém atua, verifique curto mínimo, pickup, direção, topologia e qualidade de medição. Reproduza o ponto na TCC com settings exportados.
Não conclua “curva errada” antes de verificar se o equipamento a jusante realmente abriu. A proteção de retaguarda pode ter feito exatamente o projetado diante de breaker failure. Feche a causa cruzando SOE, oscilografia e registros do disjuntor.
Referências técnicas e normas
As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.
- IEC 60834-1:1999 — Teleprotection equipment of power systems — Performance and testing — Command systems — IEC. Requisitos de desempenho e métodos de ensaio para sistemas de comando de teleproteção.
- IEEE C37.113-2025 — Guide for Protective Relay Applications to Transmission Lines — IEEE Standards Association. Guia vigente sobre proteção de linhas, coordenação, tempos, características e uso de canais de comunicação.
- IEEE C37.236-2013 — Guide for Power System Protective Relay Applications Over Digital Communication Channels — IEEE Standards Association. Aplicação, instalação, operação e diagnóstico de canais digitais usados por proteção.
- IEEE C37.94-2017 — Optical Fiber Interfaces between Teleprotection and Multiplexer Equipment — IEEE Standards Association. Interface óptica N × 64 kbit/s, conexão física e temporização entre teleproteção e multiplexadores.
- IEC TR 61850-90-1:2010 — Use of IEC 61850 for communication between substations — IEC. Casos de uso, requisitos e arquitetura para troca de informações entre subestações.
- IEC TR 61850-90-12:2020 — Wide area network engineering guidelines — IEC. Diretrizes de WAN para comunicação entre subestações e centros de controle.
- IEC 60255-1:2022 — Common requirements for measuring relays and protection equipment — IEC. Requisitos comuns para relés, incluindo comunicações como parte de esquemas distribuídos de proteção.
- IEEE C37.233-2023 — Guide for Power System Protection Testing — IEEE Standards Association. Referência para planejamento, execução, documentação e avaliação de testes de proteção.
- IEEE C37.112-2018 — Inverse-Time Characteristics Equations for Overcurrent Relays — IEEE Standards Association. Equações e tolerâncias de curvas inversas, inclusive integração para corrente variável.
- IEC 60255-151:2009 — Functional requirements for over/under current protection — IEC. Função, medição, atraso e desempenho dinâmico de sobre/subcorrente.
- IEC 60255-121:2014 — Functional requirements for distance protection — IEC. Características no plano de impedância, direção, partida, temporização e métodos de ensaio da função 21/PDIS.
Continue estudando
Os próximos conteúdos foram escolhidos para formar uma sequência técnica, relacionando fundamento, configuração, diagnóstico e aplicação.