Protocolos / IEC 60870-5-104 — IEC 104

APCI no IEC 104: parâmetros, ajustes e impactos

APCI no IEC 104: parâmetros, ajustes e impactos. Entenda o mecanismo, os parâmetros relevantes, como validar em campo e quais evidências usar no diagnóstico.

14 min de leitura Publicado em 08/09/2026
Ilustração técnica autoral para APCI no IEC 104: parâmetros, ajustes e impactos, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

IEC 104: APDU, I/S/U e parâmetros que controlam a sessão

Diagrama do IEC 60870-5-104 com APDU, APCI, ASDU, formatos I S U e temporizadores.
Diagrama próprio do Portal da Automação. A IEC 104 usa TCP, mas mantém regras próprias de sessão, numeração e telecontrole.

Como ler esta figura

APCI / Control Field

Controla formato I/S/U, estado lógico e numeração N(S)/N(R).

Na implementação: Sequência travada, ACK atrasado ou TESTFR repetitivo deve ser correlacionado com timers e janelas, não só com TCP.

I-format

Transporta ASDU e usa números de envio e recebimento para acompanhar a sequência.

Na implementação: Compare N(S) e N(R) nos dois sentidos para encontrar a primeira divergência ou ACK ausente.

S-format

Confirma recepção sem transportar uma ASDU.

Na implementação: É diretamente relacionado ao controle de fluxo e ao limiar w/t2.

U-format

Executa STARTDT, STOPDT e TESTFR para controlar/testar a transferência.

Na implementação: STARTDT não é comando de processo; é habilitação da transferência de dados IEC 104.

ASDU

Type ID, VSQ, COT, CA e IOA dão significado às medidas, estados, eventos e comandos.

Na implementação: TCP saudável com CA/IOA/COT errados continua sendo uma integração quebrada.

t0, t1, t2, t3, k e w

Definem estabelecimento, confirmações, ociosidade e janelas de mensagens.

Na implementação: Dimensione usando RTT real, carga e requisitos da aplicação; não copie defaults entre fabricantes sem validar.

IEC 104 — t0/t1/t2/t3/k/w: função, sintoma e medição

ParâmetroReferência comumFunçãoSintoma de ajuste/problemaComo medir
t030 sTimeout de estabelecimento da conexãoConexão não completa ou cai durante aberturaTempo entre tentativa TCP/sessão e estabelecimento/abandono.
t115 sEspera por confirmação de APDU enviada/testeReconexões ou timeout com I-frame sem ackDelta entre envio e avanço de N(R) / confirmação esperada.
t210 sAtraso máximo para confirmação S-frameAcks excessivamente tardiosTempo do primeiro I-frame recebido até S-frame quando w não é atingido antes.
t320 sSupervisão de enlace ocioso com TESTFRSessão silenciosa sem teste ou testes frequentes demaisTempo de ociosidade até TESTFR ACT e retorno TESTFR CON.
k12Máximo de I-frames enviados sem confirmaçãoJanela trava sob perda/latênciaMaior diferença observada entre N(S) enviado e N(R) confirmado.
w8Quantidade de I-frames recebidos antes de confirmarS-frames demais ou confirmação tardiaContar I-frames recebidos entre confirmações S-frame.

Os números são valores de referência amplamente adotados em perfis IEC 104; confirme a edição, o perfil de interoperabilidade e o equipamento.

Matriz específica — APCI / parâmetros

Campo/elementoValor ou representaçãoComo fechar a evidência
I-frame · parâmetrosASDU + N(S)/N(R)Conferir incremento e acknowledgements.
S-frame · parâmetrosN(R)Confirmar janela recebida sem ASDU.
U-frame · parâmetrosSTARTDT/STOPDT/TESTFRConfirmar ACT/CON e estado da sessão.
TCP 2404 · parâmetrostransporteSeparar reset/retransmission TCP de falha IEC104.

A matriz foi escolhida pelo foco “APCI” e pela lente “parâmetros”; referências normativas e limites de fabricante continuam prevalecendo.

SCADA/IED — campos obrigatórios para “APCI”

Campo/etapaExemplo de evidênciaFalha concreta
Valor brutocontador/registro/objeto recebidoEscala errada mascarada pela IHM.
Scaling + unidadeganho, offset, EUValor numericamente plausível porém incorreto.
Qualitygood/bad/invalid/blocked/substituted conforme protocoloSCADA exibe dado sem indicar validade.
Source timestamptempo gerado no IED/RTUSOE fora de ordem por relógio ou perda de timestamp.
Receive/display timetempo no FEP/SCADALatência de transporte/processamento.
Command lifecycleenvio, ack, atuação e retornoAck de protocolo sem atuação física.

Antes de configurar APCI: função, fronteiras e dependências

APCI contém o controle do protocolo IEC 104: formato do frame e, nos I-frames, números de sequência. Ele sustenta início/parada de transferência, supervisão e confirmação.

No desenho de IEC 60870-5-104 — IEC 104, localize APCI entre origem e destino e marque quais elementos dependem de timestamps, prioridades, buffers. A definição deve permitir responder quem produz a informação, quem toma a decisão, onde o estado é mantido e qual evidência aparece primeiro quando algo sai do esperado.

Mecanismo de APCI: campos, estados e transições que importam

K, W e T1/T2 interagem com o fluxo de I-frames; T3 supervisiona inatividade e U-frames tratam funções de controle como STARTDT/TESTFR.

Comece com uma troca mínima conhecida e depois acrescente eventos, exceções, temporização e funções opcionais. Uma sessão estabelecida não é critério suficiente: tipo, endereço, qualidade, sequência e tempo precisam chegar ao destino com a mesma semântica. Neste artigo, acompanhe spontaneous transmission, timestamps, prioridades, buffers como uma cadeia causal: condição de entrada → estado interno → decisão → saída → evidência. Esse percurso evita repetir definições e obriga cada bloco do texto a acrescentar um nível novo de explicação.

Cadeia funcional entre TC e TP, IED de proteção e disjuntor.
A proteção depende da cadeia completa de medição, lógica, alimentação e circuito de trip. Fonte: Portal da Automação · Conteúdo autoral do portal.

Parâmetros e campos de APCI: significado, efeito e validação

Os itens abaixo não são apenas nomes de configuração. Para cada parâmetro ou campo, o artigo registra o que ele representa, o efeito prático de um valor/estado incorreto e a evidência usada para confirmar a interpretação. Valores default e faixas exatas que dependem de fabricante ou firmware devem ser confirmados na documentação do equipamento, mas a relação causa → efeito precisa permanecer válida entre implementações.

Ao alterar APCI, mude uma variável por vez e preserve o baseline. Um valor só deve ser considerado adequado quando o efeito esperado aparece na captura, no contador, no log ou no processo e quando a condição degradada continua dentro do requisito.

  • Cause of Transmission — O que é: elemento de engenharia relacionado a APCI dentro de IEC 60870-5-104 — IEC 104; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com APCI; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando endereço como evidência objetiva.
  • Common Address — O que é: elemento de engenharia relacionado a APCI dentro de IEC 60870-5-104 — IEC 104; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com APCI; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando campo como evidência objetiva.
  • Information Object Address — O que é: elemento de engenharia relacionado a APCI dentro de IEC 60870-5-104 — IEC 104; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com APCI; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando estado como evidência objetiva.
  • Periodic — O que é: elemento de engenharia relacionado a APCI dentro de IEC 60870-5-104 — IEC 104; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com APCI; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando sequência como evidência objetiva.
  • Background — O que é: elemento de engenharia relacionado a APCI dentro de IEC 60870-5-104 — IEC 104; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com APCI; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando timestamp como evidência objetiva.
  • Spontaneous — O que é: elemento de engenharia relacionado a APCI dentro de IEC 60870-5-104 — IEC 104; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com APCI; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando qualidade como evidência objetiva.

Cenário prático: uma decisão de engenharia envolvendo APCI

Parta de um caso de APCI que hoje funciona e transforme-o em referência. Capture a troca associada a spontaneous transmission, registre o comportamento de timestamps e identifique como prioridades aparece no equipamento de destino. Em seguida altere uma única condição controlada. A comparação entre os dois casos deve revelar a primeira divergência, evitando que timeout, rede e aplicação sejam ajustados ao mesmo tempo.

Não encerre APCI com a frase “comunicação OK”. Documente o valor/estado de spontaneous transmission, a dependência de timestamps, o limite aceitável para prioridades e uma evidência de recuperação. Essa combinação separa interoperabilidade funcional de mera conectividade física ou TCP.

  • Definir uma condição normal de APCI e salvar a evidência associada a spontaneous transmission.
  • Escolher uma única variável relacionada a timestamps e prever o efeito antes de alterar.
  • Repetir o mesmo teste e comparar prioridades nas mesmas medições ou campos.
  • Registrar o critério que permite aceitar, rejeitar ou reverter a configuração de APCI.

Como escolher valores sem copiar configuração de outro projeto

Um parâmetro de APCI só está explicado quando se conhece unidade ou representação, faixa suportada, default quando existir, dependências e consequência observável. Para spontaneous transmission, timestamps, prioridades, compare valor atual, valor pretendido e efeito medido antes/depois.

Em IEC 60870-5-104 — IEC 104, ajustes interagem. Timeout depende de latência e retries; buffers dependem da taxa de eventos e da duração da indisponibilidade; prioridades dependem da rede; políticas de segurança dependem do fluxo real. A escolha precisa ser justificável pelo requisito e pelo teste.

  • APCI — spontaneous transmission: registrar valor, unidade/representação, dependência, efeito e evidência
  • APCI — timestamps: registrar valor, unidade/representação, dependência, efeito e evidência
  • APCI — prioridades: registrar valor, unidade/representação, dependência, efeito e evidência
  • APCI — buffers: registrar valor, unidade/representação, dependência, efeito e evidência

Como demonstrar que APCI foi implementado corretamente

Capture o início de uma sessão e siga STARTDT, I-frames, S-frames e TESTFR ao longo do tempo.

Defina a evidência antes do teste de APCI. Para esta categoria, sinais úteis incluem endereço, campo, estado, sequência, timestamp, qualidade. Use estado inicial conhecido, estímulo reproduzível e resultado esperado; quando houver duas pontas, registre as duas, e quando houver gateway/firewall/conversor, registre também a transformação intermediária.

  • Validar spontaneous transmission em condição normal
  • Forçar uma condição degradada ligada a timestamps
  • Confirmar recuperação sem perder estado, evento ou evidência relevante
  • Salvar configuração, logs/captura e horário do teste como baseline

Árvore de falhas de APCI: onde procurar antes de alterar parâmetros

Sequência travada ou confirmações atrasadas podem causar timeout mesmo com TCP aberto. Compare APCI nos dois sentidos.

Não conclua a partir do sintoma sozinho. Para APCI, cruze pelo menos duas fontes de evidência e procure a primeira divergência. Se spontaneous transmission, timestamps, prioridades estão corretos mas o resultado final continua errado, avance para a próxima fronteira do sistema em vez de alterar novamente um parâmetro já comprovado.

  • spontaneous transmission: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em estado.
  • timestamps: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em sequência.
  • prioridades: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em timestamp.
  • buffers: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em qualidade.

APCI: dados exclusivos deste recorte (parâmetros)

O recorte APCI precisa distinguir APDU/APCI e I/S/U frames. I-frame transporta ASDU e N(S)/N(R); S-frame confirma recepção com N(R); U-frame controla STARTDT, STOPDT e TESTFR. IEC 104 usa tipicamente TCP 2404. Sequência travada ou TESTFR sem CON aponta para estado de sessão, não para erro de objeto.

Na lente de parâmetros, APCI só está explicado quando I-frame tem unidade/faixa e S-frame tem efeito mensurável na captura, log ou processo.

  • I-frame: ASDU + N(S)/N(R). Conferir incremento e acknowledgements.
  • S-frame: N(R). Confirmar janela recebida sem ASDU.
  • U-frame: STARTDT/STOPDT/TESTFR. Confirmar ACT/CON e estado da sessão.
  • TCP 2404: transporte. Separar reset/retransmission TCP de falha IEC104.

APCI: timers e janelas que governam a sessão IEC 104 — APCI / parâmetros

Na análise de parâmetros de APCI, Control Station precisa ter valor/faixa, unidade ou representação e consequência observável quando sai do esperado. Em IEC 60870-5-104, t0 limita o estabelecimento da conexão; t1 limita a espera por confirmação de APDUs enviadas/teste; t2 limita quanto o receptor pode postergar um S-frame de confirmação; t3 detecta ociosidade e dispara TESTFR; k limita I-frames enviados sem confirmação e w define quantos I-frames recebidos podem acumular antes de um S-frame. Valores de referência frequentemente usados são t0=30 s, t1=15 s, t2=10 s, t3=20 s, k=12 e w=8, sempre sujeitos ao perfil e ao fabricante. O critério de encerramento para APCI em parâmetros é obter o mesmo resultado em novo teste de Control Station, mantendo o ponto de medição e a condição inicial.

Para APCI, não trate Servidor como rótulo: registre o valor efetivo, a origem da configuração e o efeito de uma alteração controlada. O diagnóstico de APCI precisa observar tempo na captura, não apenas a tela de parâmetros. Um t1 expirando costuma aparecer como APDU enviada sem avanço de N(R); t3 aparece após período ocioso seguido de TESTFR ACT/CON; k/w aparecem na distância entre N(S) e N(R) e na frequência dos S-frames. t2 deve permanecer menor que t1 para não criar uma política de confirmação incoerente. Para este artigo de APCI, a evidência ligada a Servidor deve ser armazenada com horário, origem e condição de teste, permitindo comparação posterior.

  • APCI · parâmetros · Control Station: Wireshark: acompanhar I/S/U frames, N(S), N(R), TESTFR ACT/CON e timestamps da captura.
  • APCI · parâmetros · Controlled Station: Medir o intervalo real entre o último tráfego e TESTFR para validar t3.
  • APCI · parâmetros · Cliente: Medir quantos I-frames ficam outstanding para validar k e a política de ack w/t2.
  • APCI · parâmetros · Servidor: Não aumentar t1 para esconder perda TCP, processamento lento ou janela de confirmação mal dimensionada.

APCI: valor, qualidade, tempo e ciclo de comando ponta a ponta — APCI / parâmetros

Para APCI, não trate TCP/IP como rótulo: registre o valor efetivo, a origem da configuração e o efeito de uma alteração controlada. Um ponto SCADA não é apenas um valor. Para APCI, registre endereço/tag de origem, valor bruto, escala/unidade, quality, timestamp de origem, timestamp de recepção e timestamp de apresentação. Deadband deve ser expressa na unidade ou porcentagem definida e testada em torno do limiar; SOE exige preservar a ordem pelo tempo de origem, não pela ordem de chegada ao servidor. Se TCP/IP não reproduzir o comportamento esperado em APCI, a hipótese deve ser revista antes de alterar outra camada do sistema.

O parâmetro APCI só é útil neste recorte de APCI quando pode ser comparado entre baseline, condição degradada e recuperação. Comandos precisam ser separados em intenção, envio pelo protocolo, confirmação de protocolo, atuação do equipamento e retorno de posição. Em religador/IED/RTU, um “operate success” sem mudança do contato ou telemetria não encerra o teste. Em historian, preserve raw value, quality e source timestamp antes de qualquer agregação. Em alarmes, registre condição de entrada, prioridade, debounce/deadband, ack e retorno ao normal. O critério de encerramento para APCI em parâmetros é obter o mesmo resultado em novo teste de APCI, mantendo o ponto de medição e a condição inicial.

  • APCI · parâmetros · Gateway: Telemetria: raw → scaling → engineering unit → quality → source timestamp → SCADA timestamp.
  • APCI · parâmetros · RTU: SOE: comparar timestamp de origem e sequência recebida em uma rajada de eventos.
  • APCI · parâmetros · TCP/IP: Comando: request → protocol confirmation → physical action → indication/return.
  • APCI · parâmetros · porta padrão 2404: Historian: validar valor, quality e timestamp antes de compressão/agregação.

Referências técnicas e normas

As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.

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