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ASDU no IEC 104: Type ID, VSQ, COT, Common Address e IOA

Destrinche os campos que dão significado à ASDU IEC 104 e aprenda a localizar erros de tipo, causa, endereço, sequência, qualidade, escala e timestamp.

6 min de leitura Conteúdo técnico autoral Publicado em 25/08/2026
Ilustração técnica autoral para ASDU no IEC 104: Type ID, VSQ, COT, Common Address e IOA, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

Chave de interpretação da ASDU

CampoPergunta respondidaFalha típica
Type IDqual estrutura e significado?valor decodificado no formato errado
VSQquantos objetos e como endereçar?bloco deslocado após o primeiro ponto
COTpor que foi enviado ou aceito?evento, GI e comando confundidos
Common Addressqual estação lógica?dados associados à unidade errada
IOAqual objeto dentro da estação?tag incorreta apesar de sessão saudável

O mapping seguro usa o conjunto dos campos, e não somente IOA.

A ASDU transforma bytes em informação de processo

Dentro de um I-frame, a Application Service Data Unit descreve qual informação está sendo transportada, por que foi enviada e a qual estação e objeto pertence. O SCADA não deveria decidir significado apenas pelo IOA. Type Identification, Cause of Transmission, Common Address, qualificador de qualidade e formato do valor fazem parte do contrato. Se um deles diverge, o ponto pode aparecer inválido, deslocado ou silenciosamente incorreto.

A matriz de interoperabilidade deve registrar esses campos para cada direção. Um gateway pode usar o mesmo número aparente em protocolos diferentes, mas precisa traduzir sem perder semântica. Controle de versão é indispensável porque uma alteração de firmware ou base pode modificar Type ID, escala ou endereço sem interromper a sessão TCP.

Type Identification define estrutura e interpretação

Type ID seleciona o tipo de informação: ponto simples, ponto duplo, posição de tap, bitstring, valor medido, total integrado, comando ou função de sistema. Variações com e sem timestamp possuem identificadores distintos. O receptor usa esse campo para saber tamanho, ordem e significado dos elementos; não é apenas um rótulo exibido pelo analisador.

Ao diagnosticar um valor absurdo, confirme primeiro o Type ID. Interpretar inteiro escalado como float, normalizado como valor físico ou comando como indicação produz erro mesmo com IOA correto. Teste valores de fronteira, sinal, zero e indisponibilidade. Documente unidade e conversão fora do protocolo quando a engenharia local acrescentar escala.

Comparação entre IEC 60870-5-101 serial e IEC 60870-5-104 sobre TCP/IP.
Os protocolos compartilham a semântica de telecontrole, mas usam transportes e controles de sessão diferentes. Fonte: Portal da Automação · Conteúdo autoral do portal.

VSQ controla quantidade e endereçamento sequencial

Variable Structure Qualifier informa quantos objetos existem na ASDU e se cada objeto traz IOA completo ou se apenas o primeiro endereço é transmitido, com os seguintes presumidos em sequência. A forma sequencial economiza bytes, mas exige que os pontos contíguos no telegrama correspondam exatamente ao mapeamento esperado.

Erro no bit de sequência desloca toda a interpretação posterior. Em captura, conte objetos, confira o primeiro IOA e calcule os demais. No comissionamento, use valores diferentes em endereços vizinhos; estados iguais escondem inversões e deslocamentos. Mudança de lista deve ser validada nos dois lados antes de entrar em produção.

Cause of Transmission explica o motivo e o resultado

COT diferencia envio periódico, background, espontâneo, inicialização, requisição, resposta a interrogação e etapas de comando. Também carrega indicadores de confirmação negativa e teste, conforme formato adotado. A mesma informação de processo pode aparecer com causas diferentes sem mudar o IOA, e o tratamento do SCADA pode depender dessa causa.

Em comandos, Activation, Activation Confirmation e Activation Termination formam estados diferentes. Confirmação negativa precisa chegar ao operador com razão rastreável, sem ser convertida em timeout genérico. Em GI, os objetos devem indicar a causa correspondente à interrogação, permitindo separar fotografia solicitada de evento espontâneo concorrente.

Common Address escolhe a estação lógica

Common Address identifica a estação ou unidade lógica dentro da associação. Em concentradores, uma conexão TCP pode representar várias estações. Por isso, IP do gateway não substitui CA. Tamanho e valor acordados devem coincidir; uma divergência pode fazer todos os IOAs parecerem desconhecidos apesar de a ASDU estar sintaticamente correta.

Inventarie CA por origem, destino e contexto de redundância. Em troca de gateway, mantenha a relação entre estação física, CA e base do SCADA. Teste uma GI por CA e confirme que dados de uma estação não aparecem na outra. Alarme de endereço desconhecido é mais seguro que aceitar mapeamento ambíguo.

Information Object Address localiza o ponto

IOA identifica cada objeto de informação dentro da Common Address. Ele não carrega nome, unidade ou descrição. Esses atributos pertencem à base de engenharia. O mesmo IOA pode existir em CAs diferentes, e o mesmo equipamento pode usar faixas separadas para estados, medições e comandos. A chave operacional deve incluir CA, IOA e Type ID.

Para validar, force um ponto por vez e compare valor local, ASDU capturada e tag no SCADA. Use padrões distintos para blocos sequenciais. Em comandos, confirme que o IOA de controle corresponde ao retorno de posição correto; sem essa associação, a tela pode indicar sucesso de protocolo para o equipamento errado.

Qualidade e tempo fazem parte do valor

Descritores de qualidade indicam condições como inválido, não atual, substituído, bloqueado ou overflow, conforme o tipo. O SCADA deve preservar essas informações em vez de exibir apenas o número. Valor congelado com qualidade degradada não equivale a medição válida. Alarmes e cálculos precisam definir como cada flag é tratada.

ASDUs temporizadas podem usar CP24Time2a ou CP56Time2a conforme suporte e perfil. Confirme origem do relógio, resolução e flags de validade. Um timestamp correto no formato mas errado na origem compromete SOE. Teste perda de sincronismo, retorno da referência e evento atravessando mudança de dia.

Auditoria do mapping evita defeitos silenciosos

Exporte a tabela contendo tag, descrição, direção, CA, IOA, Type ID, COT esperadas, qualidade, escala, unidade e tempo. Compare automaticamente com os dois bancos quando possível. Duplicidades e lacunas devem bloquear liberação. A revisão precisa incluir responsável de proteção/operação para confirmar significado do ponto, não apenas equipe de protocolo.

No aceite, execute GI, espontâneos, qualidades anormais, valores extremos, comandos positivos e negativos. Preserve PCAP e relatório. Uma comunicação “sem erro” com mapeamento incorreto é mais perigosa que uma sessão indisponível, porque entrega informação plausível ao ponto errado.

Referências técnicas e normas

As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.

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