GOOSE vs Sampled Values: diferenças, tráfego, sincronismo e aplicação no Process Bus
Compare IEC 61850 GOOSE e Sampled Values: evento versus amostragem contínua, multicast, banda, prioridade, sincronismo e testes em redes de subestação.
GOOSE e Sampled Values: o que olhar no quadro Ethernet
Como ler esta figura
MAC destino
Normalmente multicast para distribuir o fluxo a assinantes.
Na implementação: Valide grupo multicast, filtragem no switch e se as portas dos assinantes realmente recebem o tráfego.
VLAN / PCP
802.1Q carrega VLAN ID e prioridade de usuário, permitindo segmentação e tratamento de fila.
Na implementação: PCP não cria banda; apenas ajuda o switch a decidir prioridade quando há concorrência.
EtherType
Identifica GOOSE (0x88B8) ou Sampled Values (0x88BA).
Na implementação: Essa distinção torna simples filtrar e comprovar se o fluxo certo está no enlace.
APPID
Identifica a aplicação/instância do fluxo.
Na implementação: Compare APPID com SCL e com o assinante; duplicidade ou divergência dificulta interoperabilidade e diagnóstico.
APDU
No GOOSE contém estado, sequência, dataset e metadados; em SV contém amostras e metadados do stream.
Na implementação: No GOOSE acompanhe stNum/sqNum/ConfRev; em SV acompanhe smpCnt/smpSynch/svID e continuidade.
FCS e contadores da porta
Protegem o quadro Ethernet e evidenciam defeitos físicos ou congestionamento.
Na implementação: Antes de acusar o IED, cheque CRC, drops, queue discards e erros da interface dos switches.
IEC 61850: o mapa mental antes dos parâmetros
Como ler esta figura
MMS
Atende serviços cliente-servidor como leitura, escrita, reports e controles mapeados pela IEC 61850-8-1.
Na implementação: Valide associação, modelo do IED, datasets, report control blocks e control model.
GOOSE
Entrega eventos rápidos peer-to-peer por multicast Ethernet.
Na implementação: Valide SCL, dataset, GoCBRef, APPID, MAC, VLAN/PCP, stNum, sqNum e ConfRev.
Sampled Values
Distribui amostras digitalizadas do processo em fluxo contínuo.
Na implementação: Valide taxa de amostragem, svID, smpCnt, smpSynch, banda, prioridade e sincronismo.
PTP
Fornece referência temporal de alta precisão usando o perfil IEC/IEEE 61850-9-3 quando aplicável.
Na implementação: Observe grandmaster, BMCA, clockClass, priority, offset, path delay, boundary/transparent clocks e holdover.
SCL
É linguagem XML de engenharia/configuração, não um protocolo de tráfego do processo.
Na implementação: Controle versões ICD/IID/CID/SCD/SSD e valide consistência entre arquivo, IED e configuração de switches/ferramentas.
GOOSE — stNum/sqNum/ConfRev/APPID
| Campo | Função | Assinatura normal | Sintoma útil |
|---|---|---|---|
| APPID | Identifica o fluxo de aplicação no frame | Constante para o fluxo configurado | APPID inesperado pode indicar assinatura/publicação errada. |
| stNum | Número do estado do dataset | Incrementa quando o estado muda | Não muda apesar do processo mudar → publicação/lógica/dataset. |
| sqNum | Sequência de retransmissões do mesmo estado | Reinicia no novo estado e cresce nas repetições | Saltos/ausência ajudam a identificar perda ou captura incompleta. |
| ConfRev | Revisão da configuração | Igual à revisão esperada pelo subscriber | Mismatch pode invalidar interoperabilidade apesar de Ethernet OK. |
| TimeAllowedToLive | Validade temporal anunciada | Maior que o próximo intervalo esperado | Expiração causa subscriber considerar publisher indisponível. |
Evento e fluxo contínuo não são a mesma coisa
GOOSE e Sampled Values usam Ethernet multicast no ecossistema IEC 61850, mas carregam informações de naturezas muito diferentes. GOOSE é orientado a mudanças de estado e eventos: trip, pickup, bloqueio, permissivo, posição e sinais lógicos. Sampled Values transporta amostras digitalizadas de grandezas analógicas, como corrente e tensão, em fluxo contínuo. Essa diferença muda banda, sincronismo, comportamento esperado, teste e impacto de uma falha.
Em GOOSE, o aumento temporário de tráfego ocorre quando o estado muda e a mensagem é retransmitida rapidamente, depois o intervalo cresce. Em SV, frames continuam sendo enviados na taxa prevista mesmo sem mudança no processo. Por isso, dimensionar uma rede Process Bus exige contabilizar o fluxo contínuo de cada stream SV, enquanto GOOSE exige atenção especial à latência e às rajadas de retransmissão após eventos simultâneos.
- GOOSE: estado/evento e retransmissão adaptativa.
- SV: amostras contínuas de grandezas analógicas.
- Ambos podem usar VLAN e prioridade, mas com perfis de tráfego diferentes.
Publicadores, assinantes e datasets
Um GOOSE Control Block referencia um dataset com atributos de dados publicados pelo IED. O assinante é configurado para consumir aquele fluxo e associar os membros do dataset às entradas internas de lógica. Alterações de configuração podem mudar ConfRev e precisam ser coerentes entre engenharia e IEDs. O diagnóstico deve confirmar GoCBRef, DatSet, APPID, MAC multicast, VLAN, stNum e sqNum.
Em SV, o publicador é frequentemente uma Merging Unit ou IED com função equivalente, e o assinante pode ser um relé de proteção, medidor ou dispositivo de aquisição. O stream contém amostras identificadas e ordenadas; a aplicação depende de taxa, sincronismo e associação correta das grandezas. Trocar apenas um identificador ou escala pode produzir medições plausíveis, porém erradas, o que torna comissionamento metrológico indispensável.
- Verifique identidade do stream antes de medir desempenho.
- Valide escala e associação de corrente/tensão no SV.
- Em GOOSE, valide dataset e revisão de configuração.
Sincronismo: crítico para SV, importante para a engenharia completa
GOOSE não precisa de sincronismo de fase para representar um estado lógico. O receptor precisa reconhecer sequência, validade temporal e mudança de estado. Já aplicações de SV que combinam amostras de diferentes Merging Units dependem de uma referência temporal consistente. Processos como proteção diferencial, barramento e medição sincronizada podem exigir que amostras sejam alinhadas com precisão muito maior que a necessária para SOE convencional.
Por isso PTP, especialmente o perfil de potência IEC/IEEE 61850-9-3, aparece frequentemente no mesmo projeto que SV. A rede passa a transportar simultaneamente tráfego de processo e sincronismo. Grandmaster, boundary clocks, transparent clocks e qualidade do relógio precisam ser monitorados. Uma rede pode continuar encaminhando SV perfeitamente enquanto o tempo degrada; sem alarme de qualidade temporal, a falha fica invisível até afetar a aplicação.
- Monitore estado e qualidade de PTP, não apenas link Ethernet.
- Teste perda de referência e holdover do relógio.
- Correlacione qualidade temporal com comportamento do assinante SV.
Banda, QoS e redundância
GOOSE costuma consumir pouca banda média, mas seu requisito dominante é latência e previsibilidade em evento. SV pode representar uma parcela significativa da utilização de links, especialmente com vários streams e taxas elevadas. A engenharia deve calcular tráfego por porta, não apenas por switch, considerando replicação multicast, trunks, PRP/HSR quando utilizados e caminhos de espelhamento para diagnóstico.
VLAN e PCP ajudam a separar e priorizar classes de tráfego, mas não substituem capacidade. Prioridade não cria banda; ela define quem espera quando existe contenção. Em redes críticas, teste saturação controlada, failover, perda de link e recuperação. PRP e HSR podem fornecer redundância sem tempo de reconvergência perceptível para a aplicação, mas duplicam tráfego em partes da arquitetura e exigem análise correta do comportamento dos nós.
- Calcule utilização no pior caso por enlace.
- Não use QoS para esconder sobrecarga estrutural.
- Teste redundância com streams reais de GOOSE e SV.
Como analisar no Wireshark
Para GOOSE, observe stNum mudando quando o estado do dataset muda e sqNum evoluindo nas retransmissões do mesmo estado. Verifique TimeAllowedToLive, APPID, VLAN e ConfRev. Intervalos anormais podem indicar congestionamento, perda ou configuração de retransmissão diferente. Compare sempre com a lógica do IED, pois um GOOSE recebido pode ser descartado por configuração incompatível.
Para SV, observe sequência de amostras, identificador do stream, contador de amostras, sincronismo indicado e regularidade temporal. Uma captura em porta SPAN pode perder frames por limitação do próprio espelhamento; para medir perda em Process Bus carregado, TAP ou captura dimensionada para line rate é preferível. O objetivo é separar perda real da rede de perda da ferramenta de captura.
- Use captura com timestamp de alta qualidade quando medir jitter.
- Evite SPAN sobrecarregado para afirmar perda de SV.
- Preserve PCAP e configuração SCL do mesmo teste.
Comissionamento conjunto no Process Bus
Um teste completo deve começar com baseline: medir utilização por VLAN, taxa de frames por stream, latência de GOOSE e estado do PTP. Depois aplique estímulos reais ou de simulador para verificar mudança de stNum em GOOSE e coerência das amostras SV. A seguir provoque falhas de link e de switch dentro de procedimento seguro, verificando se PRP/HSR ou outra redundância mantém os fluxos dentro dos limites do projeto.
Também vale testar erros de engenharia controlados em ambiente de laboratório: ConfRev diferente, stream SV incorreto, perda de sincronismo ou VLAN errada. O objetivo é conhecer como cada IED sinaliza a condição. Alguns geram alarmes claros; outros apenas deixam de usar os dados. Esses testes criam assinaturas de falha que ajudam muito durante troubleshooting futuro e devem entrar no relatório de comissionamento.
Como regra de aceitação, associe cada stream a um requisito mensurável: latência máxima, taxa esperada, prioridade, caminho redundante, origem do tempo e comportamento quando a qualidade degrada. Essa matriz ajuda a evitar testes genéricos de link e transforma o comissionamento em verificação direta da função elétrica.
- Registre baseline de banda e latência.
- Teste falhas de rede e de tempo separadamente.
- Documente alarmes esperados para erro de configuração.
Referências técnicas
As explicações do Portal são autorais. Use as fontes oficiais e materiais públicos de implementação abaixo para confirmar edição, escopo, capacidades e comportamento do equipamento utilizado no seu projeto.
- IEC 61850-8-1:2011+AMD1:2020 CSV — IEC
- IEC 61850-9-2:2011+AMD1:2020 CSV — IEC
- IEC TR 61850-90-4:2020 — IEC
- ITT600 — Integrated Testing Tool — Hitachi Energy. Exemplo de ferramenta de fabricante para explorar SCL, MMS, GOOSE, SV, simulação e diagnóstico de IEC 61850.
- IEC/IEEE 61850-9-3:2016 — IEC / IEEE. Perfil PTP aplicável à automação de sistemas de potência.
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