Protocolos / GOOSE

GOOSE: guia completo para automação elétrica

Guia completo de GOOSE para automação elétrica: arquitetura, parâmetros, eventos, configuração, comissionamento e diagnóstico em redes OT.

13 min de leitura Publicado em 25/08/2026
Ilustração técnica autoral para GOOSE: guia completo para automação elétrica, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

GOOSE e Sampled Values: o que olhar no quadro Ethernet

Diagrama do quadro Ethernet para GOOSE e Sampled Values com multicast, VLAN, PCP, EtherType, APPID e APDU.
Diagrama próprio do Portal da Automação. GOOSE e SV trafegam diretamente em Ethernet e dependem fortemente da engenharia da LAN.

Como ler esta figura

MAC destino

Normalmente multicast para distribuir o fluxo a assinantes.

Na implementação: Valide grupo multicast, filtragem no switch e se as portas dos assinantes realmente recebem o tráfego.

VLAN / PCP

802.1Q carrega VLAN ID e prioridade de usuário, permitindo segmentação e tratamento de fila.

Na implementação: PCP não cria banda; apenas ajuda o switch a decidir prioridade quando há concorrência.

EtherType

Identifica GOOSE (0x88B8) ou Sampled Values (0x88BA).

Na implementação: Essa distinção torna simples filtrar e comprovar se o fluxo certo está no enlace.

APPID

Identifica a aplicação/instância do fluxo.

Na implementação: Compare APPID com SCL e com o assinante; duplicidade ou divergência dificulta interoperabilidade e diagnóstico.

APDU

No GOOSE contém estado, sequência, dataset e metadados; em SV contém amostras e metadados do stream.

Na implementação: No GOOSE acompanhe stNum/sqNum/ConfRev; em SV acompanhe smpCnt/smpSynch/svID e continuidade.

FCS e contadores da porta

Protegem o quadro Ethernet e evidenciam defeitos físicos ou congestionamento.

Na implementação: Antes de acusar o IED, cheque CRC, drops, queue discards e erros da interface dos switches.

GOOSE — campos Ethernet que precisam coincidir

CampoReferênciaComo comprovar
EtherType0x88B8Decodificação Ethernet/Wireshark.
MAC multicast01-0C-CD-01-00-00 … 01-0C-CD-01-01-FFFrame publicado e porta do subscriber.
802.1Q VID12 bits; projeto define o VLAN IDTag no frame + configuração das portas/trunks.
PCP3 bits (0–7)Tag 802.1Q + mapeamento da fila no switch.
APPID16 bitsFrame GOOSE e configuração SCL dos participantes.

Matriz específica — GOOSE / visão geral

Campo/elementoValor ou representaçãoComo fechar a evidência
APPID · visão geral16 bitsConfirmar fluxo configurado.
stNum · visão geralestadoIncrementa quando DataSet muda.
sqNum · visão geralretransmissãoCresce no mesmo estado e evidencia gaps.
ConfRev / TAL · visão geralrevisão / validadeComparar SCL e expiração no subscriber.

A matriz foi escolhida pelo foco “GOOSE” e pela lente “visão geral”; referências normativas e limites de fabricante continuam prevalecendo.

GOOSE no sistema: o problema que esta função resolve

O GOOSE Control Block define o fluxo publicado: referência, dataset e parâmetros de comunicação. GoCBRef identifica logicamente esse bloco e é usado pelo subscriber para reconhecer a publicação esperada.

No desenho de GOOSE, localize GOOSE entre origem e destino e marque quais elementos dependem de heartbeat, Test, Simulation. A definição deve permitir responder quem produz a informação, quem toma a decisão, onde o estado é mantido e qual evidência aparece primeiro quando algo sai do esperado.

Da origem ao efeito: sequência e estados de GOOSE

Relacione GoCBRef a IED/Logical Device, dataset, APPID, MAC, VLAN, tempos e ConfRev. O SCD deve ser a fonte controlada da engenharia.

Comece com uma troca mínima conhecida e depois acrescente eventos, exceções, temporização e funções opcionais. Uma sessão estabelecida não é critério suficiente: tipo, endereço, qualidade, sequência e tempo precisam chegar ao destino com a mesma semântica. Neste artigo, acompanhe fast retransmission, heartbeat, Test, Simulation como uma cadeia causal: condição de entrada → estado interno → decisão → saída → evidência. Esse percurso evita repetir definições e obriga cada bloco do texto a acrescentar um nível novo de explicação.

Arquitetura IEC 61850 separando Station Bus e Process Bus.
Visão de estação e processo para localizar MMS, GOOSE e Sampled Values na subestação. Fonte: Portal da Automação · Conteúdo autoral do portal.

Parâmetros e campos de GOOSE: significado, efeito e validação

Os itens abaixo não são apenas nomes de configuração. Para cada parâmetro ou campo, o artigo registra o que ele representa, o efeito prático de um valor/estado incorreto e a evidência usada para confirmar a interpretação. Valores default e faixas exatas que dependem de fabricante ou firmware devem ser confirmados na documentação do equipamento, mas a relação causa → efeito precisa permanecer válida entre implementações.

Ao alterar GOOSE, mude uma variável por vez e preserve o baseline. Um valor só deve ser considerado adequado quando o efeito esperado aparece na captura, no contador, no log ou no processo e quando a condição degradada continua dentro do requisito.

  • stNum — O que é: campo operacional de GOOSE usado para identificar fluxo, estado, retransmissão, revisão ou validade temporal. Efeito: Valores incoerentes com SCL/subscriber podem causar rejeição, perda de atualização ou interpretação de estado obsoleto. Validar: comparar frame capturado com SCD/CID e observar a transição do campo durante mudança real do DataSet.
  • sqNum — O que é: campo operacional de GOOSE usado para identificar fluxo, estado, retransmissão, revisão ou validade temporal. Efeito: Valores incoerentes com SCL/subscriber podem causar rejeição, perda de atualização ou interpretação de estado obsoleto. Validar: comparar frame capturado com SCD/CID e observar a transição do campo durante mudança real do DataSet.
  • retransmissão — O que é: quantidade ou política de novas tentativas após ausência de confirmação ou falha temporária. Efeito: Poucas tentativas podem reduzir resiliência; excesso pode congestionar enlace e ampliar tempo de recuperação. Validar: induzir perda controlada, contar tentativas e medir tempo total até sucesso ou declaração de falha.
  • fast retransmission — O que é: quantidade ou política de novas tentativas após ausência de confirmação ou falha temporária. Efeito: Poucas tentativas podem reduzir resiliência; excesso pode congestionar enlace e ampliar tempo de recuperação. Validar: induzir perda controlada, contar tentativas e medir tempo total até sucesso ou declaração de falha.
  • heartbeat — O que é: elemento de engenharia relacionado a GOOSE dentro de GOOSE; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com GOOSE; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando timestamp como evidência objetiva.
  • Test — O que é: elemento de engenharia relacionado a GOOSE dentro de GOOSE; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com GOOSE; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando qualidade como evidência objetiva.

Exemplo de implementação: transformando GOOSE em requisito verificável

Parta de um caso de GOOSE que hoje funciona e transforme-o em referência. Capture a troca associada a fast retransmission, registre o comportamento de heartbeat e identifique como Test aparece no equipamento de destino. Em seguida altere uma única condição controlada. A comparação entre os dois casos deve revelar a primeira divergência, evitando que timeout, rede e aplicação sejam ajustados ao mesmo tempo.

Não encerre GOOSE com a frase “comunicação OK”. Documente o valor/estado de fast retransmission, a dependência de heartbeat, o limite aceitável para Test e uma evidência de recuperação. Essa combinação separa interoperabilidade funcional de mera conectividade física ou TCP.

  • Definir uma condição normal de GOOSE e salvar a evidência associada a fast retransmission.
  • Escolher uma única variável relacionada a heartbeat e prever o efeito antes de alterar.
  • Repetir o mesmo teste e comparar Test nas mesmas medições ou campos.
  • Registrar o critério que permite aceitar, rejeitar ou reverter a configuração de GOOSE.

Do primeiro contato ao modelo mental correto

Se você está conhecendo GOOSE agora, localize primeiro o elemento dentro de GOOSE: quem produz a informação, quem a consome, o que muda durante uma transação e qual evidência aparece quando algo falha. Use fast retransmission, heartbeat, Test como marcos do fluxo.

Para quem já trabalha com o assunto, a mesma visão serve para revisar fronteiras entre equipamento, protocolo e infraestrutura. O objetivo é conseguir afirmar em qual fronteira cada variável nasce e qual medição distingue comportamento normal, exceção e implementação específica de fabricante.

  • Desenhar o fluxo de GOOSE sem depender da tela do fabricante
  • Explicar onde fast retransmission entra e que evidência deixa
  • Explicar onde heartbeat entra e que evidência deixa
  • Explicar onde Test entra e que evidência deixa

Do “online” à prova técnica: validação de GOOSE

Compare a referência no arquivo SCL com o frame e a configuração do assinante. Faça teste de ponta a ponta após qualquer alteração de nome/instância.

Defina a evidência antes do teste de GOOSE. Para esta categoria, sinais úteis incluem endereço, campo, estado, sequência, timestamp, qualidade. Use estado inicial conhecido, estímulo reproduzível e resultado esperado; quando houver duas pontas, registre as duas, e quando houver gateway/firewall/conversor, registre também a transformação intermediária.

  • Validar fast retransmission em condição normal
  • Forçar uma condição degradada ligada a heartbeat
  • Confirmar recuperação sem perder estado, evento ou evidência relevante
  • Salvar configuração, logs/captura e horário do teste como baseline

Quando GOOSE dá errado: separar sintoma, causa e efeito

Frames presentes com valores corretos mas não aceitos podem indicar GoCBRef diferente do esperado ou assinatura construída a partir de versão antiga do SCD.

Não conclua a partir do sintoma sozinho. Para GOOSE, cruze pelo menos duas fontes de evidência e procure a primeira divergência. Se fast retransmission, heartbeat, Test estão corretos mas o resultado final continua errado, avance para a próxima fronteira do sistema em vez de alterar novamente um parâmetro já comprovado.

  • fast retransmission: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em estado.
  • heartbeat: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em sequência.
  • Test: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em timestamp.
  • Simulation: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em qualidade.

Como o conceito se encaixa na arquitetura

Neste recorte de GOOSE, trate fast retransmission, heartbeat e Test como três pontos de prova. Explique o que cada um representa, o que deveria acontecer antes e depois de uma mudança e qual evidência seria incompatível com a hipótese inicial. Assim o texto permanece útil para implementação e troubleshooting.

Para entender GOOSE, desenhe o fluxo completo dentro de GOOSE: origem da informação, transformação, transporte, recepção e uso final. Marque em cada etapa quais identificadores, estados e temporizações são preservados. Esse mapa transforma uma definição abstrata em arquitetura de engenharia.

Uma boa visão geral também precisa declarar limites. Pergunte o que GOOSE resolve, o que não resolve e de quais serviços depende. Essa distinção evita usar um mecanismo fora do seu propósito e ajuda a escolher onde medir quando o comportamento real diverge do esperado.

GOOSE: mapa do publicador ao assinante

GOOSE é comunicação multicast peer-to-peer sobre Ethernet. Para implementar GOOSE, desenhe publicador, dataset, GOOSE Control Block, MAC multicast, VLAN/PCP, APPID, switches e assinantes. O switch entrega quadros; quem define significado e assinatura é a engenharia IEC 61850/SCL. Não há TCP para abrir sessão nem retransmitir pacote perdido.

O primeiro teste deve provar que o publicador realmente gera o GOOSE e que o assinante recebe o fluxo correto. Depois valide o conteúdo: GoCBRef, dataset, ConfRev, stNum, sqNum, TimeAllowedToLive, test/simulation e valores do dataset conforme edição/perfil do equipamento.

  • APPID — identifica o fluxo/aplicação no enlace; compare com SCL e assinantes.
  • stNum — muda quando o estado do dataset muda; é a evidência de uma nova condição publicada.
  • sqNum — progride nas retransmissões do mesmo estado; ajuda a identificar perda e reinicialização de sequência.
  • ConfRev — revisão da configuração; divergência sugere publicador/assinante com engenharia incompatível.
  • TimeAllowedToLive — horizonte de expectativa da próxima mensagem; participe do teste de perda do publicador/caminho.
  • VLAN/PCP — segmentação e prioridade; não corrigem SCL errado, multicast bloqueado ou erro físico.

Implementação e teste: estado, retransmissão e rede

Para GOOSE, force uma mudança conhecida no dado do dataset. Na captura, espere mudança de stNum e uma sequência de retransmissões com sqNum. No assinante, prove a alteração interna e depois a função final. Se stNum muda mas o assinante não reage, concentre-se em assinatura/SCL/rede. Se stNum não muda, volte à origem do dado e ao GoCB.

No switch, verifique VLAN, prioridade, multicast filtering, erros, drops, fila e redundância. Em PRP/HSR ou topologias redundantes, teste falha física e confirme comportamento sem duplicidade funcional. Meça latência de ponta a ponta quando a função tem requisito de desempenho; não use ping como proxy para GOOSE.

Troubleshooting que funciona para iniciante e especialista

Comece com cinco perguntas: o GOOSE existe? chega ao assinante? APPID/GoCBRef/dataset batem? stNum muda no evento? ConfRev é o esperado? Essas respostas localizam rapidamente a fronteira entre processo, configuração IEC 61850 e rede.

Para investigação avançada, correlacione timestamps da captura, logs do IED, arquivo SCL e estado de portas. Mudanças após upgrade de firmware ou engenharia precisam ser rastreadas como alteração de configuração, não como “rede instável” por padrão.

GOOSE: dados exclusivos deste recorte (visão geral)

Em GOOSE, GOOSE deve ser comprovado por EtherType 0x88B8, MAC multicast 01-0C-CD-01-00-00…01-0C-CD-01-01-FF, APPID, stNum, sqNum, ConfRev e TimeAllowedToLive. Quando 802.1Q é usado, registre VID e PCP até a porta do subscriber.

Na visão geral de GOOSE, o leitor deve conseguir localizar APPID e stNum no fluxo real e dizer qual componente produz cada evidência.

  • APPID: 16 bits. Confirmar fluxo configurado.
  • stNum: estado. Incrementa quando DataSet muda.
  • sqNum: retransmissão. Cresce no mesmo estado e evidencia gaps.
  • ConfRev / TAL: revisão / validade. Comparar SCL e expiração no subscriber.

GOOSE: Ethernet multicast, VLAN e prioridade do GOOSE — GOOSE / visão geral

No mapa funcional de GOOSE, use GOOSE publicado para localizar onde o fenômeno nasce e em qual equipamento a evidência deve aparecer. GOOSE opera diretamente sobre Ethernet com EtherType 0x88B8. Endereços multicast reservados para GOOSE usam a faixa 01-0C-CD-01-00-00 a 01-0C-CD-01-01-FF. Quando 802.1Q é usado, VID e PCP precisam ser coerentes com o projeto; PCP ocupa 3 bits no tag VLAN e deve ser tratado em conjunto com filas/QoS dos switches. O critério de encerramento para GOOSE em visão geral é obter o mesmo resultado em novo teste de GOOSE publicado, mantendo o ponto de medição e a condição inicial.

Para entender GOOSE sem abstração excessiva, acompanhe VLAN da origem ao consumidor e marque a fronteira em que seu estado pode mudar. No diagnóstico de GOOSE, verifique MAC destino, VLAN ID, PCP, APPID e entrega na porta do subscriber. “Frame visto no trunk” não prova que ele chegou ao IED. Use port mirroring/contadores multicast e, quando possível, captura no ponto mais próximo do assinante. Para este artigo de GOOSE, a evidência ligada a VLAN deve ser armazenada com horário, origem e condição de teste, permitindo comparação posterior.

  • GOOSE · visão geral · GOOSE publicado: Filtro: eth.type == 0x88b8.
  • GOOSE · visão geral · GOOSE recebido: Confirmar MAC multicast GOOSE, VID/PCP e APPID conforme SCL/projeto.
  • GOOSE · visão geral · subscription: Validar flooding/filtragem multicast e membership quando o switch implementar mecanismos adicionais.
  • GOOSE · visão geral · VLAN: Correlacionar perda de GOOSE com counters, congestionamento e filas de prioridade.

Referências técnicas e normas

As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.

Continue estudando

Os próximos conteúdos foram escolhidos para formar uma sequência técnica, relacionando fundamento, configuração, diagnóstico e aplicação.

Ver todas as trilhas de estudo →