Protocolos / IEC 61850 Sampled Values — parâmetros

Sampled Values por dentro: svID, smpCnt, smpSynch, taxa de amostragem e banda

Entenda os campos e verificações essenciais de Sampled Values: stream, svID, smpCnt, smpSynch, dataset, sincronismo PTP, continuidade, taxa de amostragem, VLAN/PCP e orçamento de banda.

7 min de leituraPublicado em 25/08/2026
Ilustração técnica autoral para Sampled Values por dentro: svID, smpCnt, smpSynch, taxa de amostragem e banda, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

GOOSE e Sampled Values: o que olhar no quadro Ethernet

Diagrama do quadro Ethernet para GOOSE e Sampled Values com multicast, VLAN, PCP, EtherType, APPID e APDU.
Diagrama próprio do Portal da Automação. GOOSE e SV trafegam diretamente em Ethernet e dependem fortemente da engenharia da LAN.

Como ler esta figura

MAC destino

Normalmente multicast para distribuir o fluxo a assinantes.

Na implementação: Valide grupo multicast, filtragem no switch e se as portas dos assinantes realmente recebem o tráfego.

VLAN / PCP

802.1Q carrega VLAN ID e prioridade de usuário, permitindo segmentação e tratamento de fila.

Na implementação: PCP não cria banda; apenas ajuda o switch a decidir prioridade quando há concorrência.

EtherType

Identifica GOOSE (0x88B8) ou Sampled Values (0x88BA).

Na implementação: Essa distinção torna simples filtrar e comprovar se o fluxo certo está no enlace.

APPID

Identifica a aplicação/instância do fluxo.

Na implementação: Compare APPID com SCL e com o assinante; duplicidade ou divergência dificulta interoperabilidade e diagnóstico.

APDU

No GOOSE contém estado, sequência, dataset e metadados; em SV contém amostras e metadados do stream.

Na implementação: No GOOSE acompanhe stNum/sqNum/ConfRev; em SV acompanhe smpCnt/smpSynch/svID e continuidade.

FCS e contadores da porta

Protegem o quadro Ethernet e evidenciam defeitos físicos ou congestionamento.

Na implementação: Antes de acusar o IED, cheque CRC, drops, queue discards e erros da interface dos switches.

IEC 61850: o mapa mental antes dos parâmetros

Diagrama comparando MMS, GOOSE, Sampled Values e PTP na arquitetura IEC 61850.
Diagrama próprio do Portal da Automação. A família IEC 61850 combina modelo de dados, serviços, engenharia e diferentes mapeamentos de comunicação.

Como ler esta figura

MMS

Atende serviços cliente-servidor como leitura, escrita, reports e controles mapeados pela IEC 61850-8-1.

Na implementação: Valide associação, modelo do IED, datasets, report control blocks e control model.

GOOSE

Entrega eventos rápidos peer-to-peer por multicast Ethernet.

Na implementação: Valide SCL, dataset, GoCBRef, APPID, MAC, VLAN/PCP, stNum, sqNum e ConfRev.

Sampled Values

Distribui amostras digitalizadas do processo em fluxo contínuo.

Na implementação: Valide taxa de amostragem, svID, smpCnt, smpSynch, banda, prioridade e sincronismo.

PTP

Fornece referência temporal de alta precisão usando o perfil IEC/IEEE 61850-9-3 quando aplicável.

Na implementação: Observe grandmaster, BMCA, clockClass, priority, offset, path delay, boundary/transparent clocks e holdover.

SCL

É linguagem XML de engenharia/configuração, não um protocolo de tráfego do processo.

Na implementação: Controle versões ICD/IID/CID/SCD/SSD e valide consistência entre arquivo, IED e configuração de switches/ferramentas.

Sampled Values — campos do stream que fecham o diagnóstico

CampoFunçãoO que observar
EtherType0x88BADecodificação SV no frame Ethernet.
svIDIdentidade do streamDeve corresponder ao stream esperado no subscriber/SCL.
smpCntContador de amostrasContinuidade, wrap e ausência de gaps/duplicações.
smpSynchEstado de sincronismoMudança coerente na perda/retorno da referência temporal.
VLAN / PCPSegmentação e prioridadeTag no frame e fila efetiva nos switches.

SV é um fluxo contínuo, não uma sequência de eventos

Sampled Values transporta amostras digitalizadas de grandezas do processo, normalmente produzidas por Merging Units ou IEDs equivalentes. Diferentemente de GOOSE, o tráfego é contínuo e a banda precisa ser dimensionada para regime permanente. Uma porta pode estar “100% online” e ainda perder amostras por congestionamento ou erro de engenharia de multicast.

Comece pelo caminho físico e Ethernet: fibra/cobre, VLAN, PCP, multicast, EtherType 0x88BA, APPID e portas assinantes. Depois interprete o stream.

svID, dataset e smpCnt

svID identifica o stream em nível de aplicação e deve corresponder à engenharia. O dataset define quais valores estão sendo amostrados. smpCnt é o contador de amostras; sua continuidade é uma das melhores evidências para detectar perda, duplicação ou descontinuidade no fluxo.

Capture durante tempo suficiente para observar vários ciclos. Saltos inesperados de smpCnt exigem separar perda na origem, rede, captura ou consumidor. Uma captura em notebook pode perder pacotes por desempenho; por isso compare com contadores do switch e ferramenta dedicada quando a conclusão for crítica.

smpSynch, PTP e qualidade temporal

smpSynch sinaliza o estado de sincronismo associado às amostras conforme o perfil/implementação. Em Process Bus, o valor elétrico correto com referência temporal inadequada pode ser tão problemático quanto perder pacotes. Correlacione SV com PTP, estado do grandmaster e qualidade do relógio dos dispositivos.

Teste perda do grandmaster ou caminho PTP e observe transição de qualidade/holdover. O sistema deve ter requisito claro de quanto tempo e com que erro pode operar sem referência primária.

Taxa de amostragem, banda e comissionamento

A banda depende de taxa de amostragem, quantidade de ASDUs/amostras por frame, tamanho do dataset e overhead Ethernet. Não use somente “1 Gbit/s é muito” como justificativa. Some todos os streams por enlace, acrescente tráfego GOOSE/MMS/PTP/engenharia e mantenha margem para falhas de topologia e redundância.

No aceite, registre taxa de frames, banda por stream, smpCnt, smpSynch, PTP offset, drops e erros de porta. Provoque mudança de topologia/redundância e demonstre continuidade compatível com o requisito da proteção/medição.

Continuidade da stream: como provar amostragem, tempo e capacidade da rede

Em Sampled Values, uma stream “visível” ainda pode estar imprópria para proteção ou medição. Identifique svID e associe-o ao Merging Unit e ao dataset esperado. Acompanhe smpCnt ao longo de milhares de quadros para procurar saltos, repetição ou reinício fora do comportamento previsto. Em paralelo, interprete smpSynch e a qualidade da referência temporal; a presença de tráfego PTP não prova que a stream está sincronizada. Compare o estado do grandmaster, clocks intermediários e indicação do publisher.

A taxa de amostragem define diretamente o volume de frames e precisa entrar no orçamento de banda junto com quantidade de streams, tamanho do quadro, VLAN/PCP e redundância PRP/HSR quando usada. No comissionamento, capture durante condição normal e durante carga elevada, observe gaps de smpCnt, drops nas portas e latência/filas do switch. Depois provoque perda controlada da referência de tempo e confirme a transição de qualidade sem confundir perda de sincronismo com perda de Ethernet. Para o iniciante, essa sequência separa “tem pacote” de “a amostra é confiável”; para o especialista, cria uma baseline objetiva para troubleshooting.

  • Associar svID ao publisher, dataset e engenharia SCL.
  • Verificar continuidade de smpCnt em janela suficientemente longa.
  • Correlacionar smpSynch com o estado real da cadeia PTP.
  • Calcular banda agregada incluindo todas as streams e redundância.
  • Inspecionar drops/filas do switch durante carga e contingência.
  • Registrar comportamento durante perda e retorno da referência temporal.

Do Merging Unit ao IED: checklist de integridade da amostra

Comece confirmando a origem. O Merging Unit deve estar associado ao circuito e dataset corretos, com escala e relação de transformação validadas pela engenharia. Na captura, svID ajuda a localizar a stream, mas o valor elétrico precisa ser comparado com uma referência conhecida ou simulada. Observe sequência de smpCnt e procure gaps; depois confirme VLAN/PCP, MAC multicast e entrega nas portas dos subscribers. Se há perda na rede, os contadores do switch e a captura em pontos diferentes devem mostrar onde a continuidade foi quebrada.

A etapa temporal vem separada. Verifique o estado PTP/GNSS do publisher e do consumidor, qualidade informada e reação à perda de referência. Uma stream pode continuar sendo transmitida com smpCnt aparentemente regular enquanto smpSynch indica condição diferente. Para proteção diferencial ou funções sensíveis à fase, essa distinção é crítica. Em seguida teste carga da rede, failover e redundância. Registre banda por stream, quantidade total de publishers e comportamento das filas. O resultado de aceitação deve combinar continuidade, valor, sincronismo e entrega; nenhum desses itens sozinho prova que Sampled Values está pronto para serviço.

  • Comparar valor amostrado com fonte elétrica ou simulador conhecido.
  • Verificar gaps de smpCnt em captura longa, não apenas em poucos frames.
  • Confirmar estado de sincronismo no publisher e no subscriber.
  • Medir drops/filas durante condição normal, carga e failover.
  • Guardar PCAP e configuração SCL como baseline da stream aceita.

Referências técnicas

As explicações do Portal são autorais. Use as fontes oficiais e materiais públicos de implementação abaixo para confirmar edição, escopo, capacidades e comportamento do equipamento utilizado no seu projeto.

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