T2 no IEC 104: conceito, função e onde se aplica
T2 no IEC 104: conceito, função e onde se aplica. Entenda o mecanismo, os parâmetros relevantes, como validar em campo e quais evidências usar no diagnóstico.
IEC 104: APDU, I/S/U e parâmetros que controlam a sessão
Como ler esta figura
APCI / Control Field
Controla formato I/S/U, estado lógico e numeração N(S)/N(R).
Na implementação: Sequência travada, ACK atrasado ou TESTFR repetitivo deve ser correlacionado com timers e janelas, não só com TCP.
I-format
Transporta ASDU e usa números de envio e recebimento para acompanhar a sequência.
Na implementação: Compare N(S) e N(R) nos dois sentidos para encontrar a primeira divergência ou ACK ausente.
S-format
Confirma recepção sem transportar uma ASDU.
Na implementação: É diretamente relacionado ao controle de fluxo e ao limiar w/t2.
U-format
Executa STARTDT, STOPDT e TESTFR para controlar/testar a transferência.
Na implementação: STARTDT não é comando de processo; é habilitação da transferência de dados IEC 104.
ASDU
Type ID, VSQ, COT, CA e IOA dão significado às medidas, estados, eventos e comandos.
Na implementação: TCP saudável com CA/IOA/COT errados continua sendo uma integração quebrada.
t0, t1, t2, t3, k e w
Definem estabelecimento, confirmações, ociosidade e janelas de mensagens.
Na implementação: Dimensione usando RTT real, carga e requisitos da aplicação; não copie defaults entre fabricantes sem validar.
IEC 104 — t0/t1/t2/t3/k/w: função, sintoma e medição
| Parâmetro | Referência comum | Função | Sintoma de ajuste/problema | Como medir |
|---|---|---|---|---|
| t0 | 30 s | Timeout de estabelecimento da conexão | Conexão não completa ou cai durante abertura | Tempo entre tentativa TCP/sessão e estabelecimento/abandono. |
| t1 | 15 s | Espera por confirmação de APDU enviada/teste | Reconexões ou timeout com I-frame sem ack | Delta entre envio e avanço de N(R) / confirmação esperada. |
| t2 | 10 s | Atraso máximo para confirmação S-frame | Acks excessivamente tardios | Tempo do primeiro I-frame recebido até S-frame quando w não é atingido antes. |
| t3 | 20 s | Supervisão de enlace ocioso com TESTFR | Sessão silenciosa sem teste ou testes frequentes demais | Tempo de ociosidade até TESTFR ACT e retorno TESTFR CON. |
| k | 12 | Máximo de I-frames enviados sem confirmação | Janela trava sob perda/latência | Maior diferença observada entre N(S) enviado e N(R) confirmado. |
| w | 8 | Quantidade de I-frames recebidos antes de confirmar | S-frames demais ou confirmação tardia | Contar I-frames recebidos entre confirmações S-frame. |
Os números são valores de referência amplamente adotados em perfis IEC 104; confirme a edição, o perfil de interoperabilidade e o equipamento.
Matriz específica — T2 / fundamentos
| Campo/elemento | Valor ou representação | Como fechar a evidência |
|---|---|---|
| t0 · fundamentos | estabelecimento TCP/sessão | Medir SYN até sessão disponível e falhas de conexão. |
| t1 · fundamentos | espera por confirmação | Medir I-frame/TESTFR ACT até ack/CON. |
| t2 · fundamentos | ack retardado | Medir recepção de I-frames até S-frame. |
| t3 / k / w · fundamentos | idle + janelas | Medir TESTFR e contagem N(S)/N(R) antes do ack. |
A matriz foi escolhida pelo foco “T2” e pela lente “fundamentos”; referências normativas e limites de fabricante continuam prevalecendo.
SCADA/IED — campos obrigatórios para “T2”
| Campo/etapa | Exemplo de evidência | Falha concreta |
|---|---|---|
| Valor bruto | contador/registro/objeto recebido | Escala errada mascarada pela IHM. |
| Scaling + unidade | ganho, offset, EU | Valor numericamente plausível porém incorreto. |
| Quality | good/bad/invalid/blocked/substituted conforme protocolo | SCADA exibe dado sem indicar validade. |
| Source timestamp | tempo gerado no IED/RTU | SOE fora de ordem por relógio ou perda de timestamp. |
| Receive/display time | tempo no FEP/SCADA | Latência de transporte/processamento. |
| Command lifecycle | envio, ack, atuação e retorno | Ack de protocolo sem atuação física. |
T2: da definição ao uso real
T2 limita quanto o receptor pode aguardar antes de confirmar I-frames quando o limiar W ainda não foi atingido.
Para aprender T2 sem depender de uma tela específica de fabricante, separe função, entradas, saídas e dependências. Em IEC 60870-5-104 — IEC 104, os pontos mais próximos deste recorte são Cause of Transmission, Common Address, Information Object Address. O leitor iniciante deve conseguir dizer quem produz a informação e quem a usa; o leitor experiente deve conseguir apontar o limite entre comportamento normal, exceção e implementação particular do equipamento.
O que acontece por dentro quando T2 entra em ação
Configure T2 abaixo de T1 e em conjunto com W para garantir confirmação oportuna.
Implemente primeiro uma troca mínima e conhecida entre as duas pontas. Depois acrescente eventos, exceções, temporização e funções opcionais. Uma sessão estabelecida não é critério suficiente: o dado precisa manter tipo, qualidade, endereço, sequência e tempo até o destino. Durante o estudo, acompanhe Variable Structure Qualifier, Cause of Transmission, Common Address, Information Object Address como uma cadeia causal. Para cada item, pergunte o que o altera, como aparece no tráfego ou no equipamento e qual seria o primeiro sintoma se estivesse incorreto.
- Variable Structure Qualifier — defina primeiro o que representa em IEC 60870-5-104 — IEC 104 e qual elemento produz ou consome essa informação; depois identifique em que condição ele muda.
- Cause of Transmission — relacione o valor ou estado ao efeito sobre T2; registre também qual campo permite confirmar que a interpretação está correta.
- Common Address — na configuração, verifique dependências nas duas pontas e evite copiar valor de outro projeto sem comparar topologia, versão e capacidade do equipamento.
- Information Object Address — no diagnóstico, associe pelo menos um sintoma de configuração errada e uma evidência que diferencie esse sintoma de falha física ou de rede.
- Periodic — no comissionamento, crie um estímulo que faça o item mudar de forma previsível e registre antes/depois, horário e resposta observada.
Mecanismo de T2: campos, estados e transições que importam
O fundamento de T2 aparece nas transições. Acompanhe uma operação normal do início ao fim e marque quando Variable Structure Qualifier e Cause of Transmission mudam. Depois repita mentalmente o fluxo com perda de comunicação, reinício ou dado inválido. Essa comparação revela quais campos representam estado e quais apenas transportam informação.
A engenharia de T2 deve partir do comportamento e não da tela de configuração. Use Variable Structure Qualifier para localizar a origem, Cause of Transmission para acompanhar a transição e Common Address para confirmar o resultado. Descreva também um sintoma de valor incorreto e qual captura, contador, medição ou log diferencia essa hipótese das demais.
- Descrever a sequência normal de T2
- Descrever uma exceção sem recorrer a “reiniciar e testar”
- Identificar o papel de Variable Structure Qualifier
- Identificar o papel de Cause of Transmission
Da bancada à operação: um cenário para aplicar T2
Para implementar T2 em IEC 60870-5-104 — IEC 104, escolha uma função pequena que possa ser repetida sem ambiguidade. Prove primeiro Variable Structure Qualifier; depois acrescente Cause of Transmission; por último force uma condição relacionada a Common Address. Em cada etapa registre a mensagem esperada, o estado local e a reação da outra ponta. A sequência incremental reduz drasticamente tentativa e erro em projetos multivendor.
A decisão de engenharia para T2 deve terminar em critérios mensuráveis. Use Variable Structure Qualifier como primeira evidência de sucesso e Cause of Transmission como verificação de consistência; declare quanto tempo pode decorrer e o que deve sobreviver à reconexão. Se a interface do fabricante usa outro nome para Common Address, mantenha uma tabela que ligue o rótulo comercial ao conceito do protocolo.
- Definir uma condição normal de T2 e salvar a evidência associada a Variable Structure Qualifier.
- Escolher uma única variável relacionada a Cause of Transmission e prever o efeito antes de alterar.
- Repetir o mesmo teste e comparar Common Address nas mesmas medições ou campos.
- Registrar o critério que permite aceitar, rejeitar ou reverter a configuração de T2.
Do “online” à prova técnica: validação de T2
Envie poucos I-frames e meça o intervalo até o acknowledgement.
Defina evidência antes de testar T2. Para esta categoria, sinais úteis incluem endereço, campo, estado, sequência, timestamp, qualidade. O teste deve ter estado inicial conhecido, estímulo reproduzível e resultado esperado. Quando houver dois equipamentos, registre os dois lados; quando houver gateway, registre também a transformação intermediária.
- Validar Variable Structure Qualifier em condição normal
- Forçar uma condição degradada ligada a Cause of Transmission
- Confirmar recuperação sem perder estado, evento ou evidência relevante
- Salvar configuração, logs/captura e horário do teste como baseline
Quando T2 dá errado: separar sintoma, causa e efeito
T2 alto demais pode fazer o transmissor alcançar T1; baixo demais aumenta overhead de confirmações.
Não conclua a partir do sintoma sozinho. Para T2, cruze pelo menos duas fontes de evidência e procure a primeira divergência. Se Variable Structure Qualifier, Cause of Transmission, Common Address estão corretos mas o resultado final continua errado, avance para a próxima fronteira do sistema em vez de alterar parâmetros já comprovados.
- Variable Structure Qualifier: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em estado.
- Cause of Transmission: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em sequência.
- Common Address: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em timestamp.
- Information Object Address: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em qualidade.
T2: dados exclusivos deste recorte (fundamentos)
Em T2, t0 limita estabelecimento de conexão, t1 supervisiona confirmação de APDUs/testes, t2 limita atraso antes de enviar S-frame e t3 supervisiona inatividade com TESTFR. k limita I-frames não confirmados e w define o limiar de confirmação recebida. O valor nominal depende do perfil/projeto; o diagnóstico deve medir deltas reais na captura.
Nos fundamentos de T2, acompanhe a transição que altera t0 e confirme como t1 reage antes, durante e depois do evento.
- t0: estabelecimento TCP/sessão. Medir SYN até sessão disponível e falhas de conexão.
- t1: espera por confirmação. Medir I-frame/TESTFR ACT até ack/CON.
- t2: ack retardado. Medir recepção de I-frames até S-frame.
- t3 / k / w: idle + janelas. Medir TESTFR e contagem N(S)/N(R) antes do ack.
T2: timers e janelas que governam a sessão IEC 104 — T2 / fundamentos
Nos fundamentos de T2, trate spontaneous transmission como parte de uma sequência causal: condição inicial, transição, campo alterado e reação do outro lado. Em IEC 60870-5-104, t0 limita o estabelecimento da conexão; t1 limita a espera por confirmação de APDUs enviadas/teste; t2 limita quanto o receptor pode postergar um S-frame de confirmação; t3 detecta ociosidade e dispara TESTFR; k limita I-frames enviados sem confirmação e w define quantos I-frames recebidos podem acumular antes de um S-frame. Valores de referência frequentemente usados são t0=30 s, t1=15 s, t2=10 s, t3=20 s, k=12 e w=8, sempre sujeitos ao perfil e ao fabricante. O critério de encerramento para T2 em fundamentos é obter o mesmo resultado em novo teste de spontaneous transmission, mantendo o ponto de medição e a condição inicial.
O mecanismo de T2 deve ser lido a partir de buffers; observe qual estado antecede a mudança e qual confirmação prova que ela terminou. O diagnóstico de T2 precisa observar tempo na captura, não apenas a tela de parâmetros. Um t1 expirando costuma aparecer como APDU enviada sem avanço de N(R); t3 aparece após período ocioso seguido de TESTFR ACT/CON; k/w aparecem na distância entre N(S) e N(R) e na frequência dos S-frames. t2 deve permanecer menor que t1 para não criar uma política de confirmação incoerente. Para este artigo de T2, a evidência ligada a buffers deve ser armazenada com horário, origem e condição de teste, permitindo comparação posterior.
- T2 · fundamentos · spontaneous transmission: Wireshark: acompanhar I/S/U frames, N(S), N(R), TESTFR ACT/CON e timestamps da captura.
- T2 · fundamentos · timestamps: Medir o intervalo real entre o último tráfego e TESTFR para validar t3.
- T2 · fundamentos · prioridades: Medir quantos I-frames ficam outstanding para validar k e a política de ack w/t2.
- T2 · fundamentos · buffers: Não aumentar t1 para esconder perda TCP, processamento lento ou janela de confirmação mal dimensionada.
T2: valor, qualidade, tempo e ciclo de comando ponta a ponta — T2 / fundamentos
O mecanismo de T2 deve ser lido a partir de Servidor; observe qual estado antecede a mudança e qual confirmação prova que ela terminou. Um ponto SCADA não é apenas um valor. Para T2, registre endereço/tag de origem, valor bruto, escala/unidade, quality, timestamp de origem, timestamp de recepção e timestamp de apresentação. Deadband deve ser expressa na unidade ou porcentagem definida e testada em torno do limiar; SOE exige preservar a ordem pelo tempo de origem, não pela ordem de chegada ao servidor. Se Servidor não reproduzir o comportamento esperado em T2, a hipótese deve ser revista antes de alterar outra camada do sistema.
Para explicar por que T2 funciona, use RTU como ponto de partida e siga a mudança até o efeito mensurável no protocolo ou processo. Comandos precisam ser separados em intenção, envio pelo protocolo, confirmação de protocolo, atuação do equipamento e retorno de posição. Em religador/IED/RTU, um “operate success” sem mudança do contato ou telemetria não encerra o teste. Em historian, preserve raw value, quality e source timestamp antes de qualquer agregação. Em alarmes, registre condição de entrada, prioridade, debounce/deadband, ack e retorno ao normal. O critério de encerramento para T2 em fundamentos é obter o mesmo resultado em novo teste de RTU, mantendo o ponto de medição e a condição inicial.
- T2 · fundamentos · Controlled Station: Telemetria: raw → scaling → engineering unit → quality → source timestamp → SCADA timestamp.
- T2 · fundamentos · Cliente: SOE: comparar timestamp de origem e sequência recebida em uma rajada de eventos.
- T2 · fundamentos · Servidor: Comando: request → protocol confirmation → physical action → indication/return.
- T2 · fundamentos · Front-End: Historian: validar valor, quality e timestamp antes de compressão/agregação.
Referências técnicas
As explicações do Portal são autorais. Use as fontes oficiais e materiais públicos de implementação abaixo para confirmar edição, escopo, capacidades e comportamento do equipamento utilizado no seu projeto.
- IEC 60870-5-104:2006+AMD1:2016 CSV — IEC. Versão consolidada listada pela IEC para o companion standard IEC 60870-5-104.
- IEC 60870-5:2026 SER — Transmission protocols — IEC. Pacote oficial da série IEC 60870-5.
Continue estudando
Os próximos conteúdos foram escolhidos pelo mecanismo deste artigo. A ideia é formar uma sequência técnica, não apenas listar páginas do mesmo tema.