Protocolos / GOOSE

VLAN ID no GOOSE: campo 802.1Q, SCL e captura

Entenda o VLAN ID do GOOSE: VID de 12 bits, valores especiais, diferença para APPID e PCP, declaração em SCL e validação ponta a ponta.

6 min de leitura Conteúdo técnico autoral Publicado em 08/09/2026
Ilustração técnica autoral para VLAN ID no GOOSE: campo 802.1Q, SCL e captura, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

GOOSE e Sampled Values: o que olhar no quadro Ethernet

Diagrama do quadro Ethernet para GOOSE e Sampled Values com multicast, VLAN, PCP, EtherType, APPID e APDU.
Diagrama próprio do Portal da Automação. GOOSE e SV trafegam diretamente em Ethernet e dependem fortemente da engenharia da LAN.

Como ler esta figura

MAC destino

Normalmente multicast para distribuir o fluxo a assinantes.

Na implementação: Valide grupo multicast, filtragem no switch e se as portas dos assinantes realmente recebem o tráfego.

VLAN / PCP

802.1Q carrega VLAN ID e prioridade de usuário, permitindo segmentação e tratamento de fila.

Na implementação: PCP não cria banda; apenas ajuda o switch a decidir prioridade quando há concorrência.

EtherType

Identifica GOOSE (0x88B8) ou Sampled Values (0x88BA).

Na implementação: Essa distinção torna simples filtrar e comprovar se o fluxo certo está no enlace.

APPID

Identifica a aplicação/instância do fluxo.

Na implementação: Compare APPID com SCL e com o assinante; duplicidade ou divergência dificulta interoperabilidade e diagnóstico.

APDU

No GOOSE contém estado, sequência, dataset e metadados; em SV contém amostras e metadados do stream.

Na implementação: No GOOSE acompanhe stNum/sqNum/ConfRev; em SV acompanhe smpCnt/smpSynch/svID e continuidade.

FCS e contadores da porta

Protegem o quadro Ethernet e evidenciam defeitos físicos ou congestionamento.

Na implementação: Antes de acusar o IED, cheque CRC, drops, queue discards e erros da interface dos switches.

Matriz específica do VLAN ID em GOOSE

CampoValorFunçãoErro típico
TPIDnormalmente 0x8100indica tag 802.1Qquadro está untagged
PCP3 bits; 0–7classe de serviçoconfundir com VLAN
DEI1 bitelegibilidade de descarteignorar congestionamento
VID12 bits; 1–4094 usuaisidentifica VLANallowed VLAN divergente
VID 0especialpriority-taggedtratar como VLAN 0
VID 4095reservadonão configurável normalmenteusar limite inválido
APPIDcampo GOOSEidentifica aplicaçãoalterá-lo para corrigir VLAN

Conferência ponta a ponta do VLAN-ID

LocalConferirEvidênciaAceitação
SCD/CIDVLAN-ID do GSEarquivo versionadovalor aprovado
Publishertag transmitidaPCAP origemVID/PCP esperados
IngressoPVID/admissãoconfig + counterssem discard
TrunkVLAN autorizadaconfig e capturatag preservada
Subscriberquadro recebidoPCAP + IEDVID, APPID e ConfRev coerentes

VLAN ID e APPID identificam coisas diferentes

Em GOOSE com tag IEEE 802.1Q, VLAN ID ou VID associa o quadro a uma VLAN e participa da decisão dos bridges. APPID fica em outro campo e identifica a aplicação GOOSE. Usar números iguais não torna os campos equivalentes.

Ferramentas mostram MAC multicast, APPID, VLAN-ID e VLAN-PRIORITY no mesmo painel. Confira cada valor no SCL, publisher, subscriber, switch e PCAP. APPID correto não compensa VID ausente ou divergente.

TPID, PCP, DEI e VID dentro da tag

A tag é normalmente reconhecida pelo TPID 0x8100. O Tag Control Information contém PCP de 3 bits, DEI de 1 bit e VID de 12 bits. O espaço vai de 0 a 4095, mas VID 0 é priority-tagged e VID 4095 é reservado; VLANs normais usam 1 a 4094 conforme o projeto.

PCP varia de 0 a 7 e orienta prioridade, sem trocar a VLAN. DEI apoia políticas de descarte. O EtherType GOOSE 0x88B8 permanece separado depois da tag.

Arquitetura IEC 61850 separando Station Bus e Process Bus.
Visão de estação e processo para localizar MMS, GOOSE e Sampled Values na subestação. Fonte: Portal da Automação · Conteúdo autoral do portal.

VLAN-ID no SCL e no IED

O SCL descreve parâmetros de comunicação do GSE. O VLAN-ID precisa ser coerente no SCD, CID carregado e rede. Ferramentas podem mostrar hexadecimal ou decimal; compare o valor resultante no frame, não apenas a forma textual.

Se o SCD mudou e o publisher mantém CID antigo, o quadro sai com outro VID. Se o switch veio de planilha independente, pode rejeitar o valor correto. Captura na porta de origem revela o transmitido.

Tagged, priority-tagged e untagged

VID entre 1 e 4094 identifica VLAN no tag. VID 0 transporta prioridade sem VID explícito de VLAN. Quadro untagged não carrega PCP/VID. Switches podem inserir, retirar ou preservar tag conforme PVID e egress.

Observar o tag na origem não garante representação igual no subscriber. Capture na saída do IED e na entrega, incluindo redes A/B quando existirem.

Sintomas de VLAN ID incorreto

Se publisher envia VID 120 e a porta aceita 121, o quadro pode cair no ingresso. Se o trunk não permite a VLAN, o multicast para. Se subscriber recebe untagged e espera tag, pode ignorar apesar de MAC e APPID corretos.

Bancada simples pode funcionar por não reproduzir allowed VLANs, PVID, trunks, filtros e redundância. O ensaio precisa usar a configuração final ou réplica fiel.

Captura e counters

No PCAP examine VLAN ID, prioridade, MAC destino, APPID, stNum, sqNum e ConfRev. Mudança de estado incrementa stNum; retransmissões do mesmo estado evoluem sqNum. VLAN correta com ConfRev divergente ainda é falha, em outra camada.

No switch procure ingress discard, membership, MAC multicast e queue drops. Documente se o espelhamento preserva tags, pois o ponto de captura pode estar depois de transformação.

Comissionamento do VLAN-ID

Comece por SCD aprovado, endereço GSE e tabela de VLANs. Compare endpoints, switches e heartbeat. Provoque mudança autorizada e confirme entrega nas duas redes redundantes.

Inclua teste negativo em laboratório: bloquear a VLAN deve interromper apenas o caminho previsto. Restaure, valide recuperação e arquive SCL, export dos switches e PCAP.

Conversão hexadecimal e prevenção de erros de ferramenta

Algumas ferramentas exibem VLAN-ID em hexadecimal com três dígitos; outras usam decimal. Por exemplo, decimal 120 corresponde a hexadecimal 0x078. A representação visual pode mudar sem que os 12 bits do VID mudem. Anote sempre as duas formas na folha de teste quando equipes usam ferramentas diferentes e confirme no quadro capturado.

Não converta APPID usando a mesma regra por associação visual. APPID possui campo e finalidade próprios. Também não presuma que o texto VLAN-PRIORITY 4 significa VLAN 4: esse valor é PCP. Um relatório robusto apresenta coluna, unidade/base numérica e localização no frame para cada parâmetro.

Ao importar SCL entre ferramentas, compare o arquivo exportado e o carregado. Normalização de zeros à esquerda pode ser apenas formatação; alteração do valor efetivo exige bloqueio da liberação. O PCAP do heartbeat após download é o teste independente da interface gráfica.

Registre também o ponto exato da captura, porta, direção e modo de espelhamento. Uma captura feita no lado untagged de uma porta access pode não mostrar o tag presente no trunk. Duas equipes podem observar quadros diferentes e ambas estarem corretas para seus pontos de medição; o desenho do caminho resolve a aparente contradição.

Na aceitação, compare o VID observado com a tabela de conectividade, não com uma memória informal. Se houver tradução ou encapsulamento por equipamento especial, documente a fronteira e prove que o subscriber recebe a representação prevista.

Referências técnicas e normas

As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.

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