Protocolos / DNP3

Class 1 no DNP3: eventos críticos, latência e recuperação

Entenda o papel da Class 1 no DNP3: critérios de atribuição, IIN1.1, polling, unsolicited, buffers, latência, testes de falha e recuperação.

7 min de leitura Conteúdo técnico autoral Publicado em 25/08/2026
Ilustração técnica autoral para Class 1 no DNP3: eventos críticos, latência e recuperação, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

Class 1 no frame: G60V2 e IIN1.1

Diagrama específico de Class 1 no DNP3 com pedido READ 01 3C 02 06 e indicação IIN1 bit 1.
Leitura focada na Class 1, sem repetir o quadro e a pilha DNP3 completos.

Como ler esta figura

01 3C 02 06

Depois do Application Control, a sequência representa READ, Group 60, Variation 2 e Qualifier 0x06 em um pedido de todos os eventos Class 1.

Na implementação: Confirme os limites do fragmento no analisador; os valores mostrados pertencem à camada de aplicação, não ao início do frame de enlace.

IIN1.1

É o bit 1 do primeiro octeto IIN e indica eventos Class 1 disponíveis.

Na implementação: Se permanecer ativo, verifique se o master realmente envia G60V2 e se a resposta é processada/confirmada.

Objetos devolvidos

A resposta contém os grupos e variações reais dos eventos — por exemplo, binários, analógicos ou contadores — e não uma lista de objetos “tipo Class 1”.

Na implementação: Valide Group/Variation, índice, flags e timestamp de cada evento.

Matriz específica da Class 1

ElementoFunçãoSintoma incorretoComo provar
Atribuiçãodireciona eventos à Class 1mudança não aparece no scanconfiguração + estímulo
G60V2seleciona eventos Class 1backlog não é drenadoPCAP com READ/resposta
IIN1.1indica pendência Class 1master não agenda coletaresposta e log do scheduler
Event Variationdefine valor, flags e tempohora ou qualidade ausenteGroup/Variation no frame
Bufferretém eventos não entreguesperda após indisponibilidadeteste de backlog/overflow

Critérios de aceitação da Class 1

CenárioEstímuloResultadoEvidência
Normaltransição críticaíndice, flags e tempo corretoslog + PCAP + SCADA
Rajadatransições no picosem perda e ordem preservadacontagem e buffer
Canal indisponíveleventos durante bloqueioretenção previstaantes/depois da reconexão
Recuperaçãorestabelecimento com backlogIIN limpa após entregatarefas e resposta final
Overflow em laboratórioexceder capacidade controladamentealarme e recomposiçãoIIN, logs e relatório

Tempos e volumes vêm do requisito do sistema e da capacidade declarada pelo fabricante.

Class 1 é política de coleta, não tipo de dado

No DNP3, Classes 1, 2 e 3 organizam eventos para que o master possa coletá-los com políticas diferentes. A classe não transforma um Binary Input em outro objeto e não substitui Group, Variation, índice, flags ou timestamp. O ponto conserva sua representação; a atribuição a Class 1 apenas informa em qual conjunto de eventos a mudança será disponibilizada.

A norma não determina que toda concessionária coloque exatamente os mesmos pontos na Class 1. Tratar Class 1 como sinônimo de trip é uma convenção frequente, não regra universal. O critério nasce da consequência da demora ou perda, do volume esperado, da capacidade do canal e da estratégia do master.

Do processo ao IIN1.1: ciclo completo do evento

Quando uma mudança atende ao critério de geração — transição digital, incremento de contador ou variação analógica acima do deadband — a outstation cria um registro. Ele associa valor, flags, índice e, quando a Variation permite, timestamp. O evento permanece no buffer até ser entregue e processado conforme as confirmações aplicáveis.

A presença de eventos Class 1 pode ser indicada por IIN1.1. Esse bit é uma indicação, não contém os eventos. Ao detectá-lo, um master configurado para varredura por indicação pode agendar Group 60 Variation 2. Se o master ignora o IIN ou não possui event scan, a informação fica acumulada mesmo com o canal online.

  • Geração: a outstation detecta mudança elegível.
  • Enfileiramento: o registro entra no buffer da classe do ponto.
  • Sinalização: IIN1.1 pode informar eventos Class 1 disponíveis.
  • Entrega: polling de classe ou Unsolicited Response transporta os objetos.
  • Baixa: o evento deixa de ficar pendente após intercâmbio e confirmações corretos.
Fluxo DNP3 entre estação mestre e outstations com polling, eventos e comandos.
Arquitetura de comunicação DNP3 entre sistema mestre e equipamentos remotos. Fonte: Portal da Automação · Conteúdo autoral do portal.

Como decidir o que pertence à Class 1

Class 1 deve concentrar informações cujo atraso prejudica decisão, segurança operacional ou reconstrução de ocorrência. Abertura de religador, atuação de proteção, mudança Local/Remote e falha de alimentação auxiliar podem justificar prioridade. Em outra arquitetura, algumas delas podem ter mecanismo distinto; a lista precisa ser formalizada na matriz de pontos.

Evite colocar todo o banco na Class 1. Uma classe superdimensionada perde significado, cria rajadas após reconexão e compete com comandos e integridade. Para cada ponto registre justificativa, taxa de pico, Variation de evento, presença de tempo, retenção e teste.

Polling, unsolicited e os componentes da latência

Com polling, a latência inclui espera até a próxima varredura, fila do master, RTT e duração da resposta. Reduzir o intervalo melhora o pior caso, mas aumenta ocupação e transações vazias. O ajuste deve usar medição real, não valor copiado.

Com unsolicited, a outstation pode iniciar o envio após gerar eventos. O ganho depende de confirmação, retries, atraso de agregação e sessão. Polling de recuperação continua importante: após restart ou perda prolongada, o master precisa reconstruir estado e consumir backlog.

Dimensione o buffer para a indisponibilidade prevista

Como estimativa, use capacidade mínima maior ou igual à taxa de pico multiplicada pela indisponibilidade de projeto, mais margem para rajadas. A conta não é normativa; ela obriga a explicitar hipóteses e comparar o resultado com o Device Profile.

Overflow é grave porque o estado atual pode estar correto enquanto a sequência histórica ficou incompleta. Ao receber Event Buffer Overflow, aplique a estratégia definida, normalmente incluindo integrity scan e registro da lacuna. Preserve IIN, logs e intervalo afetado.

Teste normal, falha e recuperação

No teste normal, provoque transição autorizada e acompanhe criação na outstation, IIN1.1 ou unsolicited, objeto entregue e atualização no SCADA com flags e horário. Repita com eventos próximos para provar a ordem.

No teste de falha, interrompa o canal, gere sequência conhecida e restabeleça. Verifique backlog, confirmações, duplicidades, ordem temporal, limpeza do IIN e preservação após reconexão. Voltar a ficar online não comprova retenção.

Diagnóstico por evidência

Se Class 0 mostra o estado novo mas não há histórico, investigue classe, Variation, deadband, buffer e coleta. Se IIN1.1 permanece, confirme Group 60 Variation 2 e a resposta. Se aparecem duplicidades, compare sequência, retransmissões e timeout.

Se eventos chegam atrasados após interrupção, meça resposta, fragmentação, fila e drenagem. A primeira divergência entre outstation, PCAP, front-end e banco SCADA localiza a camada responsável.

Folha de parâmetros e responsabilidade entre master e outstation

Documente separadamente o que pertence à outstation e ao master. Na remota ficam atribuição de classe por ponto, Variation de evento, deadband, capacidade de buffer, política de unsolicited e temporizações suportadas. No master ficam intervalos de scan, reação aos bits IIN, prioridade da tarefa, timeouts, retries e tratamento de overflow. Valores com o mesmo nome podem existir nas duas pontas e ter funções diferentes.

Registre firmware, edição do Device Profile, unidade de cada tempo e comportamento após restart. Um timeout expresso em milissegundos numa ponta e segundos na outra produz diagnóstico enganoso. A configuração aprovada deve indicar responsável, origem do requisito, valor, faixa permitida, evidência de teste e condição de rollback.

Em sistemas com gateway, acrescente uma terceira coluna. Descubra se ele preserva a classe de origem, recria eventos a partir do banco interno ou altera Group/Variation. Só uma captura antes e depois do gateway prova se a Class 1 atravessou com a mesma semântica.

Referências técnicas e normas

As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.

Continue estudando

Os próximos conteúdos foram escolhidos para formar uma sequência técnica, relacionando fundamento, configuração, diagnóstico e aplicação.

Ver todas as trilhas de estudo →