Protocolos / DNP3

Binary Input no DNP3: conceito, função e onde se aplica

Binary Input no DNP3: conceito, função e onde se aplica. Entenda o mecanismo, os parâmetros relevantes, como validar em campo e quais evidências usar no diagnóstico.

13 min de leitura Publicado em 08/09/2026
Ilustração técnica autoral para Binary Input no DNP3: conceito, função e onde se aplica, destacando o fluxo e os elementos centrais do assunto.
Ilustração técnica autoral do Portal da Automação, criada para o foco específico deste artigo.

Objetos DNP3 frequentes no campo

GroupUsoO que conferir na captura
G1 / G2Binary Input estático / eventoVariation, flags, índice e timestamp do evento quando aplicável.
G10 / G12Binary Output Status / CROBEstado retornado, Function Code de controle e status da operação.
G20 / G22Counter estático / eventoLargura do contador, flags, índice e transição que gerou evento.
G30 / G32Analog Input estático / eventoFormato inteiro/float, flags, deadband e timestamp quando previsto.
G50Time and DateValor temporal, origem do sincronismo e coerência com SOE.
G60Class dataClasses solicitadas, eventos pendentes e relação com IIN1.1–IIN1.3.

Matriz específica — Binary Input / fundamentos

Campo/elementoValor ou representaçãoComo fechar a evidência
G1 / G2 · fundamentosBinary Input static/eventConferir Variation, flags, índice e timestamp quando aplicável.
G10 / G12 · fundamentosBinary Output Status / CROBSeparar retorno de estado de bloco de controle.
G30 / G32 · fundamentosAnalog Input static/eventConferir formato, flags, deadband e timestamp.
Qualifier + range · fundamentosíndice/contagemValidar como o objeto endereça pontos na requisição/resposta.

A matriz foi escolhida pelo foco “Binary Input” e pela lente “fundamentos”; referências normativas e limites de fabricante continuam prevalecendo.

SCADA/IED — campos obrigatórios para “Binary Input”

Campo/etapaExemplo de evidênciaFalha concreta
Valor brutocontador/registro/objeto recebidoEscala errada mascarada pela IHM.
Scaling + unidadeganho, offset, EUValor numericamente plausível porém incorreto.
Qualitygood/bad/invalid/blocked/substituted conforme protocoloSCADA exibe dado sem indicar validade.
Source timestamptempo gerado no IED/RTUSOE fora de ordem por relógio ou perda de timestamp.
Receive/display timetempo no FEP/SCADALatência de transporte/processamento.
Command lifecycleenvio, ack, atuação e retornoAck de protocolo sem atuação física.

Binary Input no sistema: o problema que esta função resolve

Objetos DNP3 combinam Group, Variation e qualificação de faixa/índice para descrever o tipo e a representação dos dados. A escolha influencia largura do valor, presença de flags, timestamp e volume de tráfego.

No desenho de DNP3, localize Binary Input entre origem e destino e marque quais elementos dependem de Variation, Index, Qualifier. A definição deve permitir responder quem produz a informação, quem toma a decisão, onde o estado é mantido e qual evidência aparece primeiro quando algo sai do esperado.

Da origem ao efeito: sequência e estados de Binary Input

Para cada ponto, registre tipo, índice, classe, variation estática, variation de evento, unidade, scaling/deadband e qualidade. Evite depender de autodetecção quando a interoperabilidade entre fabricantes exige configuração explícita.

Comece com uma troca mínima conhecida e depois acrescente eventos, exceções, temporização e funções opcionais. Uma sessão estabelecida não é critério suficiente: tipo, endereço, qualidade, sequência e tempo precisam chegar ao destino com a mesma semântica. Neste artigo, acompanhe Group, Variation, Index, Qualifier como uma cadeia causal: condição de entrada → estado interno → decisão → saída → evidência. Esse percurso evita repetir definições e obriga cada bloco do texto a acrescentar um nível novo de explicação.

Cadeia funcional entre TC e TP, IED de proteção e disjuntor.
A proteção depende da cadeia completa de medição, lógica, alimentação e circuito de trip. Fonte: Portal da Automação · Conteúdo autoral do portal.

Parâmetros e campos de Binary Input: significado, efeito e validação

Os itens abaixo não são apenas nomes de configuração. Para cada parâmetro ou campo, o artigo registra o que ele representa, o efeito prático de um valor/estado incorreto e a evidência usada para confirmar a interpretação. Valores default e faixas exatas que dependem de fabricante ou firmware devem ser confirmados na documentação do equipamento, mas a relação causa → efeito precisa permanecer válida entre implementações.

Ao alterar Binary Input, mude uma variável por vez e preserve o baseline. Um valor só deve ser considerado adequado quando o efeito esperado aparece na captura, no contador, no log ou no processo e quando a condição degradada continua dentro do requisito.

  • intervalo entre polls — O que é: elemento de engenharia relacionado a Binary Input dentro de DNP3; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com Binary Input; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando endereço como evidência objetiva.
  • poll por demanda — O que é: elemento de engenharia relacionado a Binary Input dentro de DNP3; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com Binary Input; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando campo como evidência objetiva.
  • poll periódico — O que é: elemento de engenharia relacionado a Binary Input dentro de DNP3; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com Binary Input; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando estado como evidência objetiva.
  • Select Before Operate — O que é: elemento de engenharia relacionado a Binary Input dentro de DNP3; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com Binary Input; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando sequência como evidência objetiva.
  • Direct Operate — O que é: elemento de engenharia relacionado a Binary Input dentro de DNP3; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com Binary Input; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando timestamp como evidência objetiva.
  • Direct Operate No Ack — O que é: elemento de engenharia relacionado a Binary Input dentro de DNP3; deve ser identificado pela representação real usada no equipamento/protocolo. Efeito: Seu valor ou estado altera a interação com Binary Input; documente dependências e limite em vez de copiar um valor de outro projeto. Validar: comparar condição normal e uma alteração controlada usando qualidade como evidência objetiva.

Exemplo de implementação: transformando Binary Input em requisito verificável

Imagine uma integração nova em que Binary Input precisa funcionar entre equipamentos de fabricantes diferentes dentro de DNP3. Comece por uma transação mínima e observável nas duas pontas. Acompanhe Group, Variation e Index, além de endereço/identidade, sequência e tempo. Depois introduza uma única exceção — perda do enlace, reinício, evento pendente ou função não suportada — e observe qual estado muda primeiro. Esse exercício mostra se a interoperabilidade existe no mecanismo ou apenas na condição ideal.

O aceite de Binary Input precisa responder quem inicia a transação, qual resposta confirma Group, como Variation se comporta em exceção e qual log ou captura prova Index. Esses critérios tornam o artigo útil tanto na configuração inicial quanto anos depois, quando outra equipe precisar comparar a ocorrência com o baseline.

  • Definir uma condição normal de Binary Input e salvar a evidência associada a Group.
  • Escolher uma única variável relacionada a Variation e prever o efeito antes de alterar.
  • Repetir o mesmo teste e comparar Index nas mesmas medições ou campos.
  • Registrar o critério que permite aceitar, rejeitar ou reverter a configuração de Binary Input.

Mecanismo de Binary Input: campos, estados e transições que importam

Acompanhe uma operação normal de Binary Input do início ao fim e marque quando Group e Variation mudam. Depois repita o fluxo com perda de comunicação, reinício ou dado inválido para separar campos de estado, controle e transporte.

Em DNP3, compatibilidade real aparece também nas exceções. Reconexão, overflow, mudança de sequência, perda de sincronismo ou estado inválido devem produzir reações previsíveis e observáveis nas duas pontas.

  • Descrever a sequência normal de Binary Input
  • Descrever uma exceção sem recorrer a “reiniciar e testar”
  • Identificar o papel de Group
  • Identificar o papel de Variation

Do “online” à prova técnica: validação de Binary Input

Leia um conjunto pequeno de índices conhecidos e compare valor bruto, engenharia, flags e timestamp com a origem. Depois faça uma leitura em bloco para validar qualifiers e faixas.

Defina a evidência antes do teste de Binary Input. Para esta categoria, sinais úteis incluem endereço, campo, estado, sequência, timestamp, qualidade. Use estado inicial conhecido, estímulo reproduzível e resultado esperado; quando houver duas pontas, registre as duas, e quando houver gateway/firewall/conversor, registre também a transformação intermediária.

  • Validar Group em condição normal
  • Forçar uma condição degradada ligada a Variation
  • Confirmar recuperação sem perder estado, evento ou evidência relevante
  • Salvar configuração, logs/captura e horário do teste como baseline

Quando Binary Input dá errado: separar sintoma, causa e efeito

Ponto deslocado, valor truncado, timestamp ausente ou qualidade inesperada geralmente apontam para Group/Variation/Index/Qualifier ou mapping, e não para uma falha geral do canal.

Não conclua a partir do sintoma sozinho. Para Binary Input, cruze pelo menos duas fontes de evidência e procure a primeira divergência. Se Group, Variation, Index estão corretos mas o resultado final continua errado, avance para a próxima fronteira do sistema em vez de alterar novamente um parâmetro já comprovado.

  • Group: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em estado.
  • Variation: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em sequência.
  • Index: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em timestamp.
  • Qualifier: registre um caso saudável, um caso com falha e a diferença objetiva em qualidade.

Binary Input: dados exclusivos deste recorte (fundamentos)

O recorte Binary Input deve mostrar o objeto DNP3 completo: Group, Variation, qualifier, índice/range e flags. G1/G2 separam Binary Input estático/evento; G10/G12 separam Binary Output Status/CROB; G20/G22 tratam Counter; G30/G32 tratam Analog Input; G50 carrega tempo e G60 representa dados por classe.

Nos fundamentos de Binary Input, acompanhe a transição que altera G1 / G2 e confirme como G10 / G12 reage antes, durante e depois do evento.

  • G1 / G2: Binary Input static/event. Conferir Variation, flags, índice e timestamp quando aplicável.
  • G10 / G12: Binary Output Status / CROB. Separar retorno de estado de bloco de controle.
  • G30 / G32: Analog Input static/event. Conferir formato, flags, deadband e timestamp.
  • Qualifier + range: índice/contagem. Validar como o objeto endereça pontos na requisição/resposta.

Binary Input: objeto DNP3 em Group/Variation, qualifier e índice — Binary Input / fundamentos

Nos fundamentos de Binary Input, trate Class 3 Poll como parte de uma sequência causal: condição inicial, transição, campo alterado e reação do outro lado. O ponto DNP3 só é interpretável quando Group, Variation, qualifier e faixa/índice são lidos em conjunto. Group 1 representa Binary Input estático e Group 2 seus eventos; Group 10 representa Binary Output Status e Group 12 Control Relay Output Block; Group 20/22 tratam Counter estático/evento; Group 30/32 representam Analog Input estático/evento. A Variation define representação e presença de flags/timestamp, portanto dois equipamentos podem “ter o mesmo ponto” e ainda assim discordar do formato aceito. O critério de encerramento para Binary Input em fundamentos é obter o mesmo resultado em novo teste de Class 3 Poll, mantendo o ponto de medição e a condição inicial.

O mecanismo de Binary Input deve ser lido a partir de poll periódico; observe qual estado antecede a mudança e qual confirmação prova que ela terminou. No diagnóstico de Binary Input, capture a requisição e a resposta e confira Function Code, Group, Variation, qualifier e range. Object Unknown ou Parameter Error no IIN frequentemente nasce exatamente dessa combinação. Em gateway, preserve uma tabela explícita entre o objeto DNP3 recebido e o tipo/qualidade/timestamp entregue ao SCADA. Para este artigo de Binary Input, a evidência ligada a poll periódico deve ser armazenada com horário, origem e condição de teste, permitindo comparação posterior.

  • Binary Input · fundamentos · Class 3 Poll: Exemplo: G1/G2 separa Binary Input estático de evento; G30/G32 faz o mesmo para Analog Input.
  • Binary Input · fundamentos · intervalo entre polls: Conferir se a Variation usada no evento inclui flags e/ou tempo conforme a necessidade de SOE.
  • Binary Input · fundamentos · poll por demanda: Registrar qualifier e range porque eles definem como índices/contagens são codificados.
  • Binary Input · fundamentos · poll periódico: Em multivendor, validar objetos efetivamente suportados no Device Profile.

Binary Input: valor, qualidade, tempo e ciclo de comando ponta a ponta — Binary Input / fundamentos

O mecanismo de Binary Input deve ser lido a partir de CROB; observe qual estado antecede a mudança e qual confirmação prova que ela terminou. Um ponto SCADA não é apenas um valor. Para Binary Input, registre endereço/tag de origem, valor bruto, escala/unidade, quality, timestamp de origem, timestamp de recepção e timestamp de apresentação. Deadband deve ser expressa na unidade ou porcentagem definida e testada em torno do limiar; SOE exige preservar a ordem pelo tempo de origem, não pela ordem de chegada ao servidor. Se CROB não reproduzir o comportamento esperado em Binary Input, a hipótese deve ser revista antes de alterar outra camada do sistema.

Para explicar por que Binary Input funciona, use Latch On como ponto de partida e siga a mudança até o efeito mensurável no protocolo ou processo. Comandos precisam ser separados em intenção, envio pelo protocolo, confirmação de protocolo, atuação do equipamento e retorno de posição. Em religador/IED/RTU, um “operate success” sem mudança do contato ou telemetria não encerra o teste. Em historian, preserve raw value, quality e source timestamp antes de qualquer agregação. Em alarmes, registre condição de entrada, prioridade, debounce/deadband, ack e retorno ao normal. O critério de encerramento para Binary Input em fundamentos é obter o mesmo resultado em novo teste de Latch On, mantendo o ponto de medição e a condição inicial.

  • Binary Input · fundamentos · Direct Operate: Telemetria: raw → scaling → engineering unit → quality → source timestamp → SCADA timestamp.
  • Binary Input · fundamentos · Direct Operate No Ack: SOE: comparar timestamp de origem e sequência recebida em uma rajada de eventos.
  • Binary Input · fundamentos · CROB: Comando: request → protocol confirmation → physical action → indication/return.
  • Binary Input · fundamentos · Pulse On: Historian: validar valor, quality e timestamp antes de compressão/agregação.

Referências técnicas e normas

As explicações do Portal são autorais. Normas e fontes oficiais são priorizadas; materiais acadêmicos e documentação pública de fabricantes complementam a implementação e não substituem a edição normativa aplicável ao projeto.

Continue estudando

Os próximos conteúdos foram escolhidos para formar uma sequência técnica, relacionando fundamento, configuração, diagnóstico e aplicação.

Ver todas as trilhas de estudo →